Próximo encontro do Caravana, em agosto, será também aberto aos bolsistas do WASH
Um grupo de bolsistas de Extensão do Projeto WASH participou de uma oficina on-line, nesta quinta, dia 28 de julho, para conhecer o projeto Caravana da Ciência (CaCi), iniciativa de extensão universitária do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus São José dos Campos. A professora Luciane Portas Capelo, fisioterapeuta, doutora em Biologia Celular e Tecidual, com atuação na docência em Ciência e Tecnologia e Biotecnologia, coordenadora do Caravana, conduziu a apresentação do projeto.
Em funcionamento desde 2016, o Caravana da Ciência incentiva a prática da iniciação científica na educação básica, em escolas públicas e particulares, tendo forte atuação no Vale do Paraíba, em cidades como São José dos Campos, Monteiro Lobato e outras. “Entendemos que ciência e pesquisa podem/devem acontecer na escola e não só na universidade, o que é mais comum de se ver.”
Segundo a coordenadora, o foco principal do projeto Caravana da Ciência é promover a formação docente na rede básica de ensino, para que eles, também, se tornem orientadores de projetos de pesquisas nas escolas nas quais atuam, incentivando a iniciação científica. “A proposta é auxiliá-los no como fazer, dando ferramentas e trocando conhecimentos, com dicas, soluções, em encontros mensais, onde toda essa pauta é dialogada”.
Luciane Capelo conta que a formação dos professores segue o modelo semelhante ao de uma oficina, onde o diálogo, as dúvidas e a troca, vão sendo colocadas e soluções e respostas sendo construídas de forma coletiva. “Tudo acontece numa relação horizontal entre a equipe do Caravana e os professores das escolas. Nós entendemos que a formação para a pesquisa na rede de ensino tem que ter o olhar no professor, porque ele é a peça central para a mudança na raiz do ensinar”.
Outro ponto que a docente destaca é que “a única coisa fixa no projeto é a temática. Definida a partir do conteúdo da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Neste ano, por exemplo, o tema é o “Bicentenário da Independência: 200 anos de ciência, tecnologia e inovação no Brasil” e os trabalhos elaborados pelos alunos contornarão esse tema.” O cronograma das atividades do Caravana é construído a partir desse calendário da Semana da Ciência, explica.
Ela comenta que, em março, são iniciados os trabalhos com os professores, com apoio da Direção de Ensino local. “A gente se apresenta, num diálogo franco, conhece os professores e diz: estamos aqui, estamos com vocês para ajudá-los a orientar projetos de iniciação científica e acolhê-los para os trabalhos científicos. A universidade tem essa expertise e quando forma esses professores, lá na frente, receberá estudantes mais bem preparadas para atuar com pesquisas nas universidades, porque a prática já foi iniciada. Portanto, escola e universidade se beneficiam da proposta”, comenta.
A equipe do Caravana é enxuta, formada por docentes, graduandos, pós-graduandos, e professores, que são tutores, e apoiam outras escolas, após serem capacitados pelo Projeto, continua Luciane Capelo. Na sua coordenação, além de Capelo, o Caravana conta com o trabalho do professor Elias de Barros Santos, também, do ICT-Unifesp.
A partir de junho, a Unifesp oferece um curso de 50 horas para a formação dos professores. A professora afirma que, “neste momento, incentiva-se os professores a exercitar como é observar, como é fazer pesquisa, registrar e até a escrever um projeto de pesquisa. Destacamos o que é ciência, abordamos temas relacionados, como construir referências bibliográficas e até discutimos a importância das fontes na construção de um trabalho ou projeto científico.”
Segundo a coordenadora, a proposta não é fazer o professor ter mais trabalho, mas facilitar o processo pedagógico. “As pesquisas e todo trabalho são realizados pelos alunos e o professor, com essa formação, estará apto a ajudar na condução dos estudos. Para isso, ele precisa conhecer todos os passos para uma boa sistematização da pesquisa. Deste modo, grupos de pesquisas e alunos interessados vão se integrado ao projeto para fazer pesquisa.”
A próxima etapa do Caravana acontece em novembro, quando os estudantes apresentam suas pesquisas em formato de pôsteres, relatórios, trabalhos ou resumos. Os melhores trabalhos são selecionados pelos pós-graduandos, que são os responsáveis por organizar essa fase. A Caravana da Ciência premia os três melhores projetos de pesquisa, e seus avaliadores destacam o trabalho de algumas escolas, além de fazer menção honrosa a outros projetos, como incentivo à continuidade dos trabalhos e reconhecimento do envolvimento com a ciência e a pesquisa.
Mais de 300 pesquisas
O Caravana da Ciência teve início em 2016, em formato de feira de ciência. Durante a implantação do projeto, Capelo comenta que as escolas que eram público do projeto acreditavam que a Universidade levaria os conhecimento científico pra elas. “Mas a proposta não é essa. Há muita ciência na escola e o que o Caravana faz é ajudar no processo pedagógico para que essa ciência floresça.”
Em sete anos de projeto, o Caravana já registrou mais de 300 trabalhos de pesquisa, elaborados nas escolas.
Para saber mais, acesse o site do Caravana da Ciência: https://www.unifesp.br/campus/sjc/caravana-da-ciencia.html
Retomada do Caravana no Segundo Semestre/2022
O projeto retoma suas atividades, neste segundo semestre, agora, no dia 05 de agosto, em uma atividade on-line. Um encontro, às 16h30, que deve reunir entre 20 a 30 professores, também, será aberto aos bolsistas de extensão do WASH, para que acompanhem, na prática, como o Caravana dissemina a ciência na escola básica, incentivando experimentos de baixo custo, com recursos sustentáveis, promovendo o gosto pela ciência em toda comunidade escolar e contribuindo na prática pedagógica.
Parceria com o WASH
A aproximação entre a Unifesp e o Projeto WASH foi iniciada em 2020 e, a partir de 2021, a Universidade passou a contar também com bolsas cedidas pelo WASH/CNPq aos universitários. 14 bolsistas atuaram entre março e agosto daquele ano. Neste caso, os bolsistas do WASH, diferentemente da atuação da Caravana da Ciência – voltada aos professores nas escolas, levaram alfabetização digital e desenvolveram projetos voltados aos estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio nas escolas.
Redação: Denise Pereira
Foto: Atividades da Caravana (Acervo Pessoal: Luciane Capelo)