Wil Namen conversa com o diretor do LNA, Wagner Corradi e o assessor do MCTI, Joelmo Oliveira
O valor e importância das pesquisas científicas para o desenvolvimento da sociedade são o foco do talk show do Movimento Nós Somos a Ciência, apresentado pelo físico Wil Namen e exibida nesta quinta-feira, às 17h, na rede educativa TVT com transmissão simultânea pelo Youtube. Com o tema “As instituições científicas brasileiras e seus impactos na sociedade” o programa entrevista o astrofísico Wagner Corradi, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), e o físico e pesquisador do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Joelmo Oliveira.
Em comum, os três cientistas contam que são egressos da escola pública e concordam que destinar recursos para experimentos e pesquisas científicas não é um gasto, mas sim um investimento, que reflete em desenvolvimento para o país e qualidade de vida para a população. A entrevista foi gravada em Itajubá (MG), onde está instalado o LNA, instituição que detém o maior telescópio do Brasil.

Wil Namen 
Wagner Corradi 
Joelmo Oliveira
Corradi contou que nasceu em 1969, ano em que o homem pisou na Lua, o que talvez explique seu interesse pela ciência. Com formação em Física pela UFMG, se voltou para a astrofísica, para o estudo de estrelas, de como nascem novas estrelas. Oliveira é graduado em Física pela UFBA, e doutor em Ciência Política, e hoje atua com políticas e indicadores de ciência e tecnologia no MCTI.
Namen comentou que a ciência gera independência para o país que deixa de importar toda a tecnologia de que precisa. Ao contrário, o Brasil hoje é o 13° maior produtor de conteúdo científico do mundo. Oliveira colocou que o determinismo tecnológico redefine os conceitos sociais. “Se não tem uma política clara de desenvolvimento tecnológico, fica difícil responder aos anseios sociais. As demandas da sociedade é que levam ao caminho do desenvolvimento tecnológico”, afirmou. Para Oliveira, as universidades são espaços de produção de conhecimento, mas instituições como LNA, INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), CTI Renato Archer, todas ligadas ao MCTI, garantem a realização constante de pesquisas científicas e tecnológicas que impulsionam a inovação e geração de conhecimento. Lembrou que o LNA, por exemplo, fornece tecnologia exclusiva para o Brasil e mercado exterior.
Corradi disse que a sede de conhecimento é o que nos faz crescer. Citou como exemplo a criação de produtos em pó, alternativa para viagens espaciais, e a criação de fibras óticas que permitiram a criação do CCD, aparelho que faz fotos rapidamente e está presente atualmente em qualquer celular. “O LNA aprendeu a usar fibra ótica também para fazer telescópio no chão. Somos bons em mexer com fibra ótica, aprendemos a fazer bem feito, por isso a procura no mundo todo.” Para ele, colocar recursos na astronomia “não é gasto com ciência e tecnologia, mas investimento, numa área que o Brasil lidera”.
Oliveira reforçou que o MCTI tem várias unidades de pesquisa espalhadas pelo País, cerca de 16. “As unidades ligadas ao Ministério têm a função de fazer pesquisas, responder perguntas universais e atender as demandas da sociedade. A tarefa do Ministério é monitorar o trabalho feito nas unidades de pesquisa, catalogar as capacidades de cada uma e investir no aprimoramento do pessoal para ampliar essas capacidades”, apontou. “As unidades de pesquisa são as ‘jóias’ da coroa brasileira quando se fala em desenvolvimento científico e tecnológico”.
Corradi explicou que um setor específico do LNA vai até as escolas explicar o funcionamento da unidade. “Com a pandemia, criamos o portas abertas virtual, para levar informação ao público. Também fazemos parcerias, como com o programa Ciência e Cultura, vamos brincar?, para alcançarmos outros públicos”, informou. O astrofísico também destacou a importância de manter no país os cérebros pensantes. “Se perde o técnico, também se perde o que foi aprendido. Por isso é necessário aumentar o investimento em ciência e tecnologia, o que gera emprego e renda. O Brasil tem gente capaz fazendo coisas importantes, e isso retorna em benefícios para a sociedade. É preciso investir pra não ficar para trás. O conhecimento gerado pela ciência volta para todo mundo.”
Oliveira reforçou que em 2018, o Brasil investiu 1,2% de seu PIB (Produto Interno Bruto) para atividades de pesquisa e desenvolvimento. “E do total de exportação, 13% foram de conteúdo tecnológico.” Para ter um parâmetro, citou a Coreia do Sul, que no mesmo ano investiu 4,6% do PIB, e exportou 36% de produtos com alto conteúdo tecnológico. “O dispêndio que o país faz em pesquisas e desenvolvimento tecnológico, volta na forma de benefícios para o país”.
Os pesquisadores destacaram que a grande solução para o Brasil é fazer com que esse conhecimento chegue ao contingente da população que está nas periferias dos grandes centros urbanos. “A periferia tem pessoas habilidosas, com capacidades que as vezes as escolas não estão preparadas para enxergar. É preciso estimular o desenvolvimento dessas habilidades”, avaliou Corradi. “Quando a gente junta esforços faz coisas grandiosas, como se viu nessa pandemia.”
“Um país para se desenvolver tem que apostar nas pessoas. Se o Brasil quer fazer ciência de fronteira, tem que promover políticas de inclusão”, reiterou Oliveira.
As entrevistas do Programa Nós Somos a Ciência têm produção de Rafael Procópio. Uma realização do Movimento Nós Somos a Ciência e Conexao WASH, o talk show é exibido pela TVT às quintas-feiras, às 17h. No ABC e Grande São Paulo sintonize no canal 44.1. No sinal digital HD aberto, pode ser assistido no canal 512 NET HD-ABC. Também é exibido simultaneamente no Youtube, onde fica disponível em qualquer horário. Mais informações no https://wash.net.br.
O Projeto WASH está participando ainda da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), no estande do CNPq, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, com palestras, shows, oficinas, roda de conversa. A programação pode ser acompanhada em nossas redes sociais: @programawash @cemaden.educacao @cemaden @wilsonnamen @ciabolademeia @cnpq_oficial #ciência #snct #tecnologia #iniciaçãocientifica #Brasília #aprenderparaprevenir.
Texto: Delma Medeiros
Revisão: Wilson Namen