Influências do clima na vida das pessoas é tema de talk show do Movimento Nós Somos a Ciência na TVT
“Mudanças climáticas e suas influências na vida das pessoas” é o tema da próxima entrevista que o Movimento Nós Somos a Ciência, promovido pela Conexão WASH apresenta nesta quinta-feira na grade da rede educativa TVT. Para falar sobre essa situação que acarreta tantos e tão inesperados problemas para o planeta, o físico Wil Namen, entrevista duas referências na área, a pesquisadora Gabriela Di Giulio, docente do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, especializada em Jornalismo Científico, mestre em Política Científica e Tecnológica, doutora em Ambiente e Sociedade, ambos pela Unicamp; e o físico Paulo Eduardo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, coordenador de capítulos nos quatro últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), considerado um dos maiores especialistas brasileiros em mudanças climáticas e aquecimento global.

Paulo Artaxo 
Wil Namen 
Gabriela Di Giulio
Artaxo deixa claro que a situação atual é crítica e que medidas urgentes são necessárias para evitar cenários ainda mais dramáticos. Para o pesquisador, com anos de trabalho com a questão do meio ambiente na Amazônia, o desmatamento da floresta e as emissões de gases de efeito estufa resultantes da queima de combustíveis fósseis são os grandes responsáveis por essas mudanças e pelo sufocamento do planeta. “Não existe maneira mais eficaz e barata de reduzir a emissão de gases de efeito estufa que preservar a floresta”, afirma. Ele destaca que de 2004 a 2011 houve uma significativa redução na emissão de gases. “Mas de 2011 até agora aumentou em mais de 200% a emissão de gases, e o desmatamento na Amazônia aumentou muito, está em torno de 11 mil km² por ano”, lamenta. Para ele, não só o Brasil, mas os países desenvolvidos têm que fazer a sua parte e reduzir a emissão de dióxido de carbono. “Reduzir o desmatamento e parar de queimar combustíveis fósseis são as alternativas para essa crise”.
Gabriela diz que é urgente pensar a ligação entre o clima e a saúde das pessoas. “Todos estão preocupados com a questão climática, mas essa preocupação não reverbera em ações efetivas para mudar esse cenário”, avalia. Segundo ela, as condições atuais, o aquecimento global, refletem até mesmo no aumento da quantidade de pernilongos. “Esta não é minha área de estudo, mas há que relacionar os processos de urbanização com a invasão desses vetores, com as modificações comportamentais de várias espécies. Entre os impactos das mudanças climáticas no nosso cotidiano, esse é um deles”, coloca.
Gabriela cita também o papel central da mídia na divulgação dos estudos sobre a percepção de risco, de como fazer essas informações chegar até as pessoas. “O grande desafio dos pesquisadores é saber como aproximar essas informações das pessoas”, observa.
Artaxo considera que há sensibilidade da população e que o problema está nos governos. Cita que no Brasil, por exemplo, o Congresso é dominado pela bancada ruralista. “O governo defende esses interesses e não os da população. Os governos respondem a interesses econômicos, religiosos e não os da população em geral”. Lembra ainda que o Brasil, pelas suas características, tem muitas possibilidades de usar energias alternativas, mas não aproveita esse potencial. “Faltam políticas públicas de Estado que sejam mantidas a longo prazo. É o único caminho para a emergência climática que estamos vivendo”.
Uma realização do Movimento Nós Somos a Ciência e Conexçao WASH, o talk show é exibido pela TVT às quintas-feiras, às 17h. No ABC e Grande São Paulo sintonize no canal 44.1. No sinal digital HD aberto, pode ser assistido no canal 512 NET HD-ABC. Também é exibido simultaneamente no Youtube, onde fica disponível em qualquer horário. Mais informações no https://wash.net.br.
Texto: Delma Medeiros
Revisão: Wil Namen