“Ciência e Cultura, vamos brincar?” entrevista o astrônomo Julio Lobo um atento observador do céu

Estrelas, planetas, constelações, o infinito que tanto encanta como assusta o homem. Esses são os aspectos abordados no programa “Julio Lobo, o caçador de meteoros”, novo episódio do “Ciência e Cultura, vamos brincar?”, do Projeto WASH, que será exibido nesta quarta-feira, 27 de outubro, ao meio dia, pela  TVT, rede educativa aberta na Grande São Paulo e ABC, com transmissão ao vivo pelo Youtube para as demais regiões.

O programa, apresentado pelo físico Wil Namen, cofundador do Movimento Nós Somos a Ciência, traz uma entrevista exclusiva com o astrônomo, pesquisador e divulgador científico Julio Lobo, coordenador do Observatório Municipal de Campinas/SP Jean Nicolini, que se autodenomina contador de histórias do universo e estudioso de lendas, mitos e curiosidades. Julio Lobo conta que quando tinha cerca de 9 anos, entre 1969/70 viu uma coisa fantástica, colorida passar no céu deixando um rastro luminoso, que muito o intrigou. Ao perguntar para o pai, soube tratar-se de um meteoro. Na época, seu pai adquiriu a enciclopédia Barsa, o equivalente a Wikipédia atual, só que em formato de livro de papel, e ele começou a pesquisar sobre o assunto. “Esta foi a mola da minha opção pela astronomia”, resume. Julio Lobo integra o seleto grupo de ‘caçadores de meteoros’, rede de astrônomos amadores e profissionais que se ocupam de estudar os fenômenos estelares. Segundo Lobo, existem os caçadores de estrelas, de planetas, de meteoros. Os caçadores de estrelas são pessoas que buscam regiões mais distantes, com pouca poluição luminosa (menor quantidade possível de luz) para melhor observar o céu.

Ele explica que o interesse em meteoros é um dos ramos da astronomia. Como em medicina, existem os ‘especialistas’ numa ou noutra área: no caso da atronomia, em planetas, estrelas, asteroides, meteoritos. No Brasil atualmente, segundo Lobo, há pelo menos dois grupos de caçadores de meteoros em atividade: o Bramon (nome sugerido por ele, que significa Brazilian Meteor Observation Network) e o Exoss, do qual participa e que mantém contato com o Observatório Nacional e outros observatórios pelo país.

O astrônomo conta que asteroides e cometas, quando se aproximam do Sol deixam um rastro de sujeiras meteoroides, que próximas da terra surgem como um rastro luminoso. Lobo esclarece que as popularmente chamadas ‘estrelas cadentes’, na verdade são meteoros, uma vez que “estrelas não caem”. Os pedacinhos dessa sujeira cósmica que chegam à terra são os meteoritos. De acordo com o pesquisador caem de 10 a 100 toneladas de meteoros por noite no planeta. Desses, 98% viram poeira suspensa na alta atmosfera, 1,5% caem nos oceanos e 0,5% eventualmente atingem os continentes, como o meteoro que caiu no Nordeste brasileiro em agosto de 2020.

Julio Lobo atua no Observatório Jean Nicolini desde os 17 anos. Começou como estagiário em 1977, mesmo ano de inauguração do local, então denominado Estação Astronômica de Campinas. Esse foi o primeiro Observatório municipal do Brasil, além de ser pioneiro na oferta de ação educativa regular. O Observatório abre ao público às sextas e domingos, das 17h às 21h. Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia), com pagamento somente em dinheiro. Fechado às segundas-feiras, nos demais dias da semana funciona para escolas e pesquisadores mediante agendamento prévio. Está localizado na Estrada do Capricórnio, Serra das Cabras, em Joaquim Egídio.

Os conteúdos apresentados no Programa “Ciência e Cultura” são disponibilizados em Libras e legendados, uma iniciativa para garantir mais acesso e respeito às pessoas com deficiência. “O Ciência e Cultura, vamos brincar?” é uma coprodução do Projeto WASH, do Movimento Nós Somos a Ciência e da Cia Cultural Bola de Meia – responsável pela parte musical e de contação de histórias -, com apoio do CNPq e dos deputados federais que aportam recursos para educação científica e tecnológica.

O “Ciência e Cultura” é exibido toda quarta-feira, às 12h, na TVT, com reprise na quinta, às 17h. Na Grande São Paulo sintonize no canal 44.1. No sinal digital HD aberto, pode ser assistido no canal 512 NET HD-ABC. Também é exibido simultaneamente no Youtube. Mais informações no https://wash.net.br/ciencia-e-cultura-vamos-brincar/

Texto: Delma Medeiros

Revisão: Wil Namen, Victor Mammana