Durante quatro dias, oito oficinas científicas e tecnológicas atenderam a mais de 160 alunos de escola municipal

A Escola Municipal Irene Lopes Sodré, em Campos do Jordão (SP), abriu suas portas para receber oficinas de Scratch voltadas a estudantes do Ensino Fundamental I e II, realizadas pelo Projeto WASH (Workshop Aficionados por Software e Hardware), dos dias 07 a 10 deste mês de junho. A linguagem de programação Scratch foi criada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). As atividades se deram no contexto do retorno às aulas presenciais na cidade.

As oficinas contaram com a presença e participação do físico Wilson Namen, apresentador da websérie “Ciência e Cultura, vamos brincar?” e dos programas do “Ciência em Show”, Cerca de 160 participantes, entre 11 e 15 anos, foram beneficiados.

Conhecido como Wil, o físico usou experimentos científicos simples, com a participação de todos os presentes, para simular uma “mini comunidade científica”. A ideia foi mostrar como se dá a organização do conhecimento através da interação entre várias pessoas. “Usar experimentos e truques simples para entreter crianças pode ser considerada uma técnica comum, principalmente para os mágicos. Mas com um pouco de preparo e inovação, é possível aproveitar essa mesma técnica para discutir assuntos complexos tais como: pressão, gravidade, história da ciência, termodinâmica etc.  O storytelling foi a estratégia utilizada para colocar todos os educandos no caminho do método científico”, diz Wil. 

A pesquisadora do projeto Ana Carolina Soares de Deus, psicóloga, também esteve à frente das oficinas. “A experiência de estar presencialmente, e poder ver o brilho no olhar das crianças e adolescentes, a interação entre os participantes, a curiosidade, o comprometimento em realizar as atividades propostas e o respeito com as normas sanitárias devido a pandemia da Covid-19, são experiências diferentes das vividas no formato remoto. São mais intensas e calorosas. Eu sentia falta disso”, expressa.

O coordenador do Projeto, Victor Mammana, também realizou oficinas. “Para o Projeto WASH, é uma satisfação retomar as atividades presenciais, mas o projeto nunca parou: durante a pandemia foram mantidas as atividades, seja através de oficinas remotas ou pela inovação em produção audiovisual representada pelo Programa Ciência e Cultura, vamos brincar”, comenta. Segundo ele, nada substitui presenciar as descobertas das crianças durante a programação dos jogos, mas, por enquanto, o retorno às atividades presenciais ainda depende da manifestação das autoridades sanitárias locais. O coordenador lembrou, também, que Campos do Jordão é um local onde oficinas voltadas para desastres naturais são muito importantes.

A realização das oficinas atendeu a todos os protocolos e orientações da administração municipal de Campos do Jordão, sobre a retomada das atividades educativas de forma presencial.

A parceria com o município já rende bons frutos desde 2020, quando o WASH foi implantado em Campos. Inicialmente, a escola escolhida para adotar a metodologia foi a EMEF Antônio Nicola Padula, e, no decorrer do ano, a multiplicação das oficinas de Scratch para os estudantes de sextos e sétimos anos do Ensino Fundamental foi feita por sete bolsistas do Instituto Federal de São Paulo. Eles atuaram com os alunos trabalhando temas como Racismo e Vida Saudável, nas atividades de construção de jogo digital.

Durante o período em que a equipe do WASH esteve na cidade, uma agenda de encontros incluiu uma reunião com o prefeito, Marcelo Padovan, e com a Secretária de Educação, Marta Esteves, em que o compromisso de levar iniciação científica e letramento tecnológico aos estudantes do Ensino Fundamental foi reafirmado. Participaram da reunião a coordenadora do Projeto no Paraná, Elaine Tozzi, e o próprio físico Wil Namen.

As oficinas só foram e são possíveis por meio de emendas parlamentares, neste caso, do deputado federal Eduardo Cury. “O apoio do legislativo é muito importante, porque valoriza iniciativas que buscam mostrar para os educandos que existem opções de carreira para quem deseja continuar estudando”, comenta Wil.

Em conformidade com os protocolos sanitários pertinentes à pandemia de Covid-19, uma equipe bastante reduzida do projeto foi designada para as atividades, como forma de preservar a segurança de todos os presentes. Quatro participantes do WASH foram incumbidos dessa missão, enquanto outros integrantes deram seguimento às oficinas remotas que, atualmente, envolvem escolas estaduais e municipais nos estados de São Paulo e Paraná.

Bons resultados que se traduzem na continuidade da parceria

A receptividade dos participantes nas oficinas, bem como a estrutura de segurança e apoio dada pela equipe da EMEF Irene Sodré e da Secretaria de Educação foram fundamentais para  a realização desta atividade.

“Desde 2019, esse projeto tem sido construído no município com a participação das redes de ensinos. Inicialmente, a equipe do Wash fez várias reuniões e oficinas de demonstração para apresentar o método, conhecer, envolver e construir com os educadores o Wash em Campos do Jordão. O Wash só acontece com o envolvimento de todas as partes”, explica w  Coordenadora do projeto Wash  no Paraná, Elaine Tozzi.

Além da expressiva participação das crianças e dos adolescentes nas atividades propostas, também os professores aderiram intensamente e têm procurado o projeto com o objetivo de trabalhar os seus conteúdos por meio do Scratch em sala de aula.

“Também tivemos a oportunidade de conhecer os novos bolsistas da Escola Estadual Professor Expedito Camargo Freire, que participaram das oficinas e de reuniões presenciais com a Frente Multiplicadora. Essa atividade proporcionou o encontro com seus ‘futuros alunos’, além deles tirarem dúvidas sobre o projeto e de manifestarem o quanto estão felizes em serem bolsistas. O prefeito Marcelo Padovan se Interessou por solicitar novos recursos para dar continuidade e ampliar as atividades do Wash no município, por estar acompanhando os resultados e a importância deste projeto para a cidade”, comemora Elaine.