Professor Fernando Accorsi fala sobre o encantamento dos alunos

Com uma rede de apoio composta por dez orientadores de diversas áreas de conhecimento, o IFPR (Instituto Federal do Paraná) – Câmpus Londrina tem estudantes bolsistas dos cursos Técnico em Biotecnologia, Técnico em Informática e Licenciatura em Ciências Biológicas, por meio de parceria com o Programa WASH. Os estudantes selecionados via edital vêm tanto do ensino médio quanto do superior e estão vinculados a projetos de pesquisa e extensão. 

Professor Fernando. Arquivo pessoal.

A parceria com o WASH teve início em fevereiro de 2019. O Programa WASH foi apresentado inicialmente para o Instituto dois anos antes, em uma oficina no câmpus. Em março de 2019, as oficinas na Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico foram iniciadas. Naquele ano, foram realizadas 30 oficinas para estudantes do terceiro ao quinto ano do ensino fundamental.

Professor Fernando Accorsi é o coordenador local do WASH, desde abril de 2019, no IFPR-Câmpus Londrina e, de acordo com ele, cada edição do programa apresenta desafios diferentes. A edição mais recente da parceria teve início em agosto de 2020.

“Nesta edição, considerando a diversidade de áreas do conhecimento, dos orientadores e bolsistas, eram imprescindíveis os encontros de formação. O engajamento dos professores orientadores foi de grande importância para este momento. São eles que, na prática, irão fazer a conexão de seus projetos de pesquisa com as oficinas nas escolas. Tenho grande expectativa na fase que iniciaremos agora com a aplicação das oficinas na escola municipal para os estudantes do ensino fundamental I”, avalia e espera.

Professor do IFPR, desde 2012, na área de TI, é bacharel em Ciência da Computação (UEL), com especialização em Fotografia (UEL) e em Docência da Educação Profissional Técnica e Tecnológica (IFPR). Fernando é, também, mestre em Ciência da Computação pela UFRGS. Atualmente, é membro da Governança do APL-TIC Londrina, onde recentemente assumiu a coordenação do Grupo de Trabalho para discussão da aproximação entre Academia e Mercado.

Bárbara Beraquet: Recentemente, o senhor encerrou um ciclo de formação com os bolsistas. Pode nos falar sobre isso? 

Professor Fernando: O edital foi aberto em agosto de 2020 no IFPR-Câmpus Londrina e selecionou 12 bolsistas para o programa WASH vinculados a projetos de pesquisa e extensão. Como vários desses estudantes e seus orientadores de Iniciação Científica não eram da área de informática e desconheciam o Scratch e o programa WASH como um todo, foram propostos encontros para discutir estes temas. 

No primeiro encontro, em outubro de 2020, foi realizado um relato de experiência sobre as oficinas do WASH aplicadas em 2019 na escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico. Participaram deste encontro todos os orientadores, bolsistas e a Diretora da Escola Municipal, Thatiane Verni Lopes de Araújo. Foi um momento muito importante para que todos pudessem conhecer o programa e seus desdobramentos, como também compartilhassem experiências e dúvidas sobre as oficinas. 

Na sequência, foram realizados mais oito encontros semanais com orientadores e bolsistas para discutir e aprender os principais recursos do Scratch. A formação foi finalizada com uma sessão de apresentação das produções dos bolsistas, cujo objetivo era criar um projeto Scratch relacionado com suas atividades de Iniciação Científica no âmbito dos projetos que estavam vinculados. 

Os resultados foram bastante interessantes, pois foram compartilhados projetos de diversas áreas do conhecimento, desde um objeto de aprendizagem para aprender a linguagem Braile até um simulador de desafios de robótica. Finalizada esta formação, seguiram-se os encontros para definir o formato das oficinas para aplicação nas escolas municipais, considerando o cenário da Pandemia. Agora, estamos no momento de organização das turmas nas escolas municipais e cadastro de estudantes para o início das oficinas remotas.

Bárbara Beraquet: Ao longo das atividades, que retorno o senhor teve dos alunos sobre a vivência?

Professor Fernando: Já vivenciei muitas oficinas no âmbito do WASH e o momento sempre é de muitas descobertas e de encantamento. Acredito que esta vivência, em especial, foi interessante pela grande participação dos professores orientadores. Ver professores de outras áreas, descobrindo junto com seus bolsistas os potenciais desta nova linguagem para se expressar, foi inspirador. É uma perspectiva diferente das oficinas realizadas nas escolas municipais, mas irá trazer bons desdobramentos no âmbito do ensino, pesquisa e extensão em diversas áreas do conhecimento no Câmpus Londrina.

Bárbara Beraquet: Ao chegar ao final de um ciclo, o que o senhor notou de evolução nos alunos?

Professor Fernando: Acredito que a principal contribuição dos encontros de formação foi despertá-los sobre as potencialidades de uso da ferramenta em suas áreas, como também o que o programa WASH representa para as escolas municipais e seus estudantes. Foi possível observar, pelos projetos compartilhados, que os bolsistas se apropriaram de mais uma maneira de expressar suas ideias. Ou seja, são capazes de se comunicar de outra forma neste mundo digital.

Bárbara Beraquet: Como o senhor descreveria essa parceria com o WASH?

Professor Fernando: Acredito que a parceria entre a comunidade do IFPR-Câmpus Londrina e o programa WASH tem benefícios em várias perspectivas diferentes, considerando cada ator envolvido. Para os estudantes é uma oportunidade de passarem pela experiência das oficinas e iniciação científica, nas quais muitas habilidades são desenvolvidas. Habilidades que estão além dos currículos de seus cursos e são desejáveis em muitas atividades profissionais.  

Para os professores orientadores e a instituição como um todo, a ampliação das relações com a comunidade externa por meio de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão é muito valiosa. Criam-se laços de cooperação mútua. O programa WASH na sua essência promove esta aproximação entre as instituições de ensino e suas comunidades externas locais.

Redação: Bárbara Beraquet

Revisão Nádia Abilel de Melo