Carnaval de rua, dentro de casa, é possível? Para manter viva sua tradição e a diversão do carnaval, mesmo em tempo de pandemia, o tradicional Bloco das Caixeirosas, em Barão Geraldo, distrito de Campinas, SP, traz uma programação festiva online.

Um roteiro de atividades, ao longo dos dias que antecedem a festa popular, tira proveito das possibilidades oferecidas pela tecnologia para diminuir as distâncias e estender um pouco de alegria e esperança a quem se conectar. 

boneca digital
Boneca Edite

“O momento ainda é desafiador e a criatividade é o que nos salva. A cada ano, é confeccionada uma bonecona e, para atender essa expectativa da criançada e manter a tradição, o ano de 2021 vai trazer a Edite que, por ora, habita o mundo digital e que, devido a essa onda enquadrada, ficou pirada!”, brinca Cleide, participante das Caixeiras das Nascentes, grupo popular de percussão majoritariamente feminino, e bolsista do Programa WASH.

Ano após ano, desde a fundação, em 2006, o grupo das Caixeirosas produz uma boneca artesanal, construída coletivamente pelas integrantes das Caixeiras das Nascentes; essa é a 14ª boneca que nasce no carnaval, que não terá a boneca fisicamente este ano, mas nem por isso ficou sem a convidada de honra. O Bloco das Caixeirosas apresenta Edite, uma boneca tecida no digital, para a brincadeira do carnaval, com várias propostas de interação em que as crianças serão provocadas a editarem e programarem com desenhos e jogos.

“Ah, Edite! Edite a Edite! Nessa onda enquadrada,

Edite ficou pirada (2x) Vamos brincar com a Edite, pirar na nossa levada (2x)”,

é a marchinha desta edição

Através de integrações que serão propostas na página do Facebook das Caixeiras das Nascentes, grupo do Bloco, também no Facebook, e canal do YouTube, a experiência deve, ainda, promover um passeio por alguns dos ritmos musicais presentes no carnaval brasileiro, como o maracatu, caboclinho, frevo, passando pelo encantamento da contação de história. No sábado de carnaval, 13, acontece o lançamento do vídeo com a bateria de Caixas do Divino das Caixeiras das Nascentes e a Banda das Caixeirosas. A ideia é de que a folia enquadrada pela tela do computador, tablet ou celular coloque todo mundo para dançar, assim como o cortejo do grupo faz todos os anos. Toda a ação é colaborativa.

Caixeirosas
Bloco das Caixeirosas. Foto: Daniel de Almeida

A artesã Cristina Bueno, Mestra das Caixeiras das Nascentes e diretora geral do Bloco das Caixeirosas, sente que é importante ter esse momento de união, apesar das dificuldades em transmitir a emoção e a alegria do carnaval, que sempre fazem na rua, sabidamente com a proximidade das pessoas e da emoção das crianças; as últimas, em especial, nutrem uma expectativa muito grande. “Elas ficam curiosas, querem conhecer a boneca”, conta, lembrando que a folia das Caixeirosas é dedicada aos pequenos e a produzir, neles, memórias afetivas, mas que atinge também adultos e idosos ao resgatar os antigos carnavais. Brincar e usufruir da liberdade de ocupar as ruas é algo ainda mais especial para as crianças urbanas, que vivem um cotidiano sem espaço. Por isso, a Mestra das Caixeiras acredita que a programação proposta, dentro da realidade possível,  “online e quadrada”, é um ato de resistência, para “que não morra essa memória da rua e que nosso coração continue forte, alegre e com vida”. 

Cada boneca tem uma identidade e uma história, e todas têm ligação com o contexto da cultura popular ou vivência do grupo ou de algum integrante. A boneca Edite surge como um convite a todos, para que, neste momento de Pandemia, também “se editem”: “Se transformar, criar maneiras de se adaptar, que sejam maneiras bem-vindas para nossa ‘levada’”, completa Cristina.

“A tecnologia pode ser aliada à promoção de cultura, ainda mais no cenário atual, em que os canais digitais revelam-se um novo palco e ampliam as possibilidades de audiência. Ciência e Cultura podem caminhar juntas e o Programa WASH já demonstra preocupação com pautas que contemplam a diversidade e a inclusão”, encerra Cleide.

Maria Fuxiqueira e burrinha Aurelinda Maria

Para Elaine Tozzi, folia e tecnologia, neste carnaval virtual, permitem o encontro da cultura popular com as ferramentas tecnológicas. As Caixeirosas farão o tradicional cortejo pela  “rua da internet”, o WASH, com a dimensão da arte pelas infovias, estará na levada do tambor com as Caixeiras. “A Maria Fuxiqueira me falou que a Edite, em edição, passa pela cultura popular, pelos bonecos gigantes, pelo frevo, pelo maracatu, pela música, pelo  desenho; estará no Scratch,  no Stop Motion, com alegria, com a cura e a vacina, conforme a marchinha. Desejamos  cura e vacina a todos”, diz Elaine, do Programa WASH.

A programação teve início no primeiro sábado de fevereiro, dia 2, com a apresentação da boneca digital Edite e sua marchinha.

Confira a programação para os próximos dias:

Quarta-feira, 10, às 19h: Brincando com Edite;

Quinta-feira, 11, às 19h: Vamos cantar a marchinha da Edite? Com as Mestras Cris Bueno e Inês Vianna;

Sexta-feira, 12, às 14h: Contação de história da Edite, com Tati, da Cia. Conta Tati, conta;

Às 19h: Live no Canal do Programa WASH com transmissão simultânea no canal do Nós Somos a Ciência;

Sábado, 13, às 16h: Lançamento do vídeo no canal do YouTube. 

Você e sua família estão convidados para essa diversão digital.

Ensaie a marchinha da Edite e arraste o sofá para brincar o Carnaval com as Caixeirosas!

Pela página do grupo no Facebook.

Sobre as Caixeirosas

O Bloco foi fundado, em 2006, pela artista Cristina Bueno, junto aos grupos de Caixeiras de Campinas, com o objetivo de proporcionar, em especial às crianças, um espaço de brincar com alegria, tranquilidade e liberdade, como nos antigos carnavais.

O bloco resgata dois momentos tradicionais dos antigos Carnavais: a rua e o salão. No primeiro momento, é realizado um cortejo em volta da Praça Durval Pattaro, em Barão Geraldo, com os foliões e bonecas gigantes, acompanhadas de marchinhas autorais, criadas especialmente para elas.

O segundo momento é caracterizado pela brincadeira, numa alusão ao salão enfeitado com confetes e serpentinas, animado pelas Boneconas e pela Banda das Caixeirosas, que toca marchinhas, frevos e sambas tradicionais.

Cristina Bueno é artesã de Caixa do Divino. Mestra das Caixeiras das Nascentes, diretora geral do Bloco das Caixeirosas, percussionista, arte educadora, pesquisadora de Manifestações Populares Brasileiras de Raiz. Como contramestra, o grupo conta com Inês Vianna, artista brincante, diretora artística do Bloco das Caixeirosas, diretora do grupo teatral Folia na Cidade, professora de teatro, diretora teatral, atriz e produtora cultural, apaixonada pela cultura popular.

Redação: Bárbara Beraquet, com informações das Caixeirosas

Revisão Nádia Abilel de Melo