
Andréa Saraiva e Delma Medeiros, bolsistas e pesquisadoras do WASH
Unindo esforços para contar a história do Programa WASH que, neste ano (2023), comemora 10 anos de existência, duas bolsistas começaram, em fevereiro, a organizar e realizar Rodas de Memórias, que são encontros eletrônicos, com personalidades-chave da história do WASH. Nas rodas, a história do Programa vai sendo reconstruída por aqueles que fizeram parte dela e sempre têm fatos a contar.
Delma Medeiros, jornalista e bolsista do WASH, explica que o seu plano de Trabalho, tem exatamente este tema, e leva o título: “10 anos do Projeto WASH: Iniciação científica e popularização da Ciência”. “Minha proposta é exatamente resgatar parte da história do WASH, desde a sua fundação, em 2013, e os avanços conquistados”, comenta.
Com tema da pesquisa “Historicização dos 10 anos do Programa WASH e Difusão do conhecimento em C&T e cultura digital”, a historiadora e, também, pesquisadora do WASH, Andréa Saraiva, sugeriu uma ação conjunta, que permitisse que as duas pudessem realizar, a coleta de informações para os estudos.
Andréa explica que a escolha das Rodas de Memória como técnica para construção historiográfica pela validade e pela versatilidade do método da História Oral pode ser utilizada por qualquer profissional ou pesquisador de quaisquer áreas. “Essa é a beleza da ciência, um mesmo método, produzindo resultados diferentes e complementares. O que nos diferencia é o que cada uma vai gerar a partir do material coletado. Nós historiadores chamamos de “fonte documental primária “, aquilo que os jornalistas podem chamar de entrevista.”
A pesquisadora pontua que, “através dessas Rodas”, é possível obter relatos, visões, experiências e memórias que de outra forma poderiam ser perdidos ou esquecidos. A história oral pode fornecer em uma perspectiva única, permitindo que acessemos informações e pontos de vista daquelas pessoas que de alguma forma contribuíram para edificação do Programa e que não estão disponíveis nos registros escritos tradicionais. Isso pode nos ajudar a fornecer uma visão mais completa destes 10 anos, bem como permitirá a preservação e valorização das vivências humanas, que normalmente são excluídas da história escrita ou invisíveis e esquecidas ante a historiografia tradicional. A ciência cidadã e a democratização do conhecimento passam também pela diversidade de fontes. A construção do conhecimento científico é, também, uma escolha política”, complementa Andréa.
A pesquisa historiográfica desenvolvida por ela será transformada em eBook e em um documentário “Historicizando os 10 anos do Programa WASH”.
As Rodas de Memórias são abertas a participações de outros integrantes do WASH. Estas duas realizadas tiveram a presença dos coordenadores Elaine da Silva Tozzi, Victor Mammana, bolsistas e demais bolsistas.
WASH no PR foi destaque na primeira roda
Até o momento, duas rodas foram realizadas. A primeira aconteceu, no dia 22/02, com Sílvio Damasceno, ex-prefeito da cidade paranaense de Prado Ferreira; e Ana Paula Rodrigues, diretora do Programa Profissão 4.0, de Prado Ferreira. Damasceno instituiu, em 2019, como política pública municipal o Programa Profissão 4.0 que, em parceria com o WASH, oferece formação, capacitação e orientação a estudantes e educadores, tendo como base o STEAM. O Programa ofereceu, até o momento, cursos de Scratch, robótica, edição de vídeo, stop motion, atendendo em torno de 900 crianças e adolescentes.
Além dos convidados e das duas bolsistas, participaram dessa primeira rodada Elaine da Silva Tozzi (coordenadora do WASH) e Cleide Maria dos Santos (bolsista).
As origens no CTI e em Guarulhos, temas da segunda roda
Na segunda roda, realizada em 23/02, foram ouvidas duas pessoas que participaram dos primórdios do WASH, Aléx Garcia e Ingrid Janaína Alves. Alex Garcia, do Departamento de Informática e Telecomunicações, divisão de Inclusão Digital, da Prefeitura de Guarulhos, participou do evento marco zero do WASH, em setembro de 2013: um encontro de hackers, no CTI Renato Archer, em Campinas. O que era para ser um encontro de hackers, acabou se tornando o pontapé inicial do WASH, desenvolvido dentro do CTI.
Garcia rememora que “em 2014, Victor Mammana foi convidado a dar início ao Projeto WASH em Guarulhos. Na época foi feito um processo de seleção para bolsas de iniciação científica, envolvendo estudantes do IFSP-Guarulhos, um trabalho que foi levado para nove Centros de Educação Unificada (CEU) da cidade.”
Já Ingrid, na época com 13/14 anos, foi da primeira turma de bolsistas do WASH, no CTI, permanecendo no Programa por alguns anos. Atualmente, está terminando a graduação em Educação Física pela Unicamp, já com planos de fazer mestrado.
Ela contou como o envolvimento com a linguagem computacional a despertou para outras potencialidades. Nessa roda, estiveram presentes Delma, Andréa, Cleide e os coordenadores Elaine Tozzi e Victor Mammana.
Próximas rodas
Novas rodas de memória acontecerão, a partir de maio. Confira os nomes que as bolsistas devem ouvir, para ajudar nesta construção histórica:
- Clotilde Diogo e Ana Carolina de Deus Soares, voluntárias e bolsistas do WASH;
- Silvio Spinella, diretor do CTI em 2013;
- Daniel Spozito, diretor do IF-SP;
- Leonardo Oliveira, funcionário do CTI e voluntário do WASH;
- Cássia Oliveira, que articulou o trabalho do WASH, desenvolvido com moradores da Vila Olímpia;
- Paulo Búfalo, vereador, que fez a ponte com o deputado Ivan Valente, primeiro parlamentar apoiador do WASH;
- Andrea Victor, do CNPq;
- Elaine da Silva Tozzi e Victor Mammana, coordenadores.
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Texto: Denise Pereira e Delma Medeiros