A pesquisadora, Elaine da Silva Tozzi, defendeu sua dissertação, no último dia 10/03, tendo como objeto de estudo o Programa WASH.


Se o WASH (Workshop Aficionados em Software e Hardware) fosse uma personagem, a gente poderia dizer, sem exagero, que ele acaba de ganhar uma biografia, tamanho aprofundamento que uma dissertação de mestrado tratou o Programa, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), coincidentemente no ano em que o WASH completará uma década de existência. O trabalho foi desenvolvido no grupo de pesquisa STEM Education do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza da Universidade. A autora da pesquisa, Elaine da Silva Tozzi, concluiu sua dissertação na última sexta-feira, dia 10/03, com a defesa do estudo, sob o título História e Caracterização de 10 anos do WASH: um programa heterárquico de aprendizagem STEAM.

O orientador da pesquisa foi o Professor Dr. Paulo Sérgio Camargo Filho (UTFPR Campus Londrina) e o coorientador, Dr. Victor Pellegrini Mammana, também coordenador geral do WASH. A banca de avaliação foi composta pela Professora Dra Luciane Capelo Portas- UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo – Campus São José dos Campos); e pelo Professor Dr. Eduardo Filgueiras Damasceno (UTFPR – Campus Cornélio Procópio/PR).

Além da Banca de Avaliação, cerca de 28 pessoas acompanharam a defesa de tese da pesquisadora, via transmissão eletrônica (meet), com tradução em Libras, realizada pela tradutora Juliana Louvison Moralles, um comportamento atitudinal de inclusão e de acessibilidade, que Elaine fez questão de ter nesta apresentação.

A pesquisa foi amplamente elogiada pelos professores, que compuseram a Banca, e aprovaram e reconheceram que o estudo poderia, até mesmo, se enquadrar em qualquer Programa de Doutorado no país.

Outro importante ponto destacado pelos avaliadores foi que a riqueza do conteúdo da pesquisa pode permitir novos estudos sobre o WASH. “A dissertação foi extensa, rica e pode gerar novas pesquisas”, afirmaram.


O estudo

Elaine Tozzi dividiu seu trabalho em dois eixos: o histórico e indicadores para caracterizar o Programa. É, exatamente, no eixo histórico, a sua área de graduação, que ela faz essa “imersão” no Programa, resgatando documentação, políticas públicas, memórias, narrativas e apresentando várias análises, resultados e indicadores de ambos eixos.

A pesquisadora abordou os contextos e cenários nacional e internacional da alfabetização digital, trazendo uma linha do tempo das influências que moldaram o Programa, passando desde a importância das políticas públicas de inclusão digital nos anos 2000 no Brasil (Governo Eletrônico – Gesac, Programa de Inclusão Digital – PID, One Laptop for Child (OLPC), o legado de Seymour Papert (MIT) e de Afira Vianna Ripper (Unicamp) e seus impactos para a educação digital, o desenvolvimento das linguagens Logo e Scratch até chegar aos tempos atuais da educação STEAM.

Ainda, destacou, a organização do WASH como um programa heterárquico, sem organogramas, com relações horizontais, descentralizada, trabalho colaborativo, com foco no protagonismo de seus participantes: o estudante/aluno e no aprendizado.

De acordo com Elaine, a pesquisa buscou descobrir “o que o WASH gostaria de ter sido? a partir do seu Documento de Referência – Portaria 178, que traz a “liturgia” sobre o Programa: como deve funcionar, método, valores, sua atuação, execução, como fazer a extensão, seu público e suas redes. Outra questão importante colocada foi O que o WASH conseguiu ser ?, a partir de uma década de implementação de sua execução.

A partir dessa base (a Portaria), ela defendeu algumas hipóteses: envolvendo a eficiência e eficácia (neste ponto, o foco foi o público-alvo), a Orientação a projetos (avaliando o conjunto de dados relacionados às pesquisas desenvolvidas), as bases históricas da sua origem, a prática pedagógica, o Programa como protopolítica pública (adesões ao programa por municípios poderiam comprovar este item) e a organização e gestão heterárquicas.

Para alcançar as duas respostas, a pesquisadora se viu diante de uma nova conjuntura. Em 10 anos, a educação passou por mudanças profundas, a pandemia exigiu adaptações e impôs uma nova realidade, e o documento de Referência do WASH deveria apresentar alterações para se adaptar a este novo cenário.

Outro ponto de destaque do estudo é que toda análise foi acompanhada de um acervo de dados, informações, colocados na tese como indicadores, que consubstanciaram suas hipóteses. A pesquisa coloca em evidência o conjunto de eventos realizados, público atendido, cidades em que a metodologia WASH foi inserida, a participação no Programa por sexo, entre outros dados.

De acordo com Elaine, após dois anos de intenso aprofundamento sobre o WASH, é possível concluir que o Programa foca na aprendizagem e não no ensino, não tem vínculos comerciais, é público; tem como lema “o ensinar como pretexto para aprender, estimula o protagonismo do estudante, respeita as características e realidades nas quais vai sendo inserido, é organizado de forma heterárquica, promove o uso das tecnologias livres e tem como valor o  método científico.

Elaine conta que, por se tratar de mestrado profissional, a sua dissertação deixa vários legados ao WASH. “O próprio estudo é um presente que contribui para o levantamento da história do WASH e com o conjunto de dados e informações mapeados,  a sugestão da banca é que ele possa, futuramente, se transformar num livro.”

Durante o desenvolvimento da pesquisa, Elaine, também, entregou como produtos educacionais a revisão do Documento de Referência do WASH e dois vídeos, que trazem uma entrevista com a professora Afira Viana Ripper, que foi aluna de Seymour Pappert. “A professora é memória viva dos primórdios da educação digital e da iniciação científica no Brasil, a partir do ensino fundamental”, defende Elaine.


Recomendações

Além desses “presentes” ao Programa, Elaine apresentou, ainda no trabalho, uma série de recomendações ao WASH que vai corroborar para a coleta de indicadores, ajudar a tornar o WASH mais inclusivo e acessível, propôs novas modalidades de bolsas, ampliando o público beneficiado,  entre outras sugestões.

Sobre a autora:

Elaine da Silva Tozzi é historiadora formada pela PUC Campinas, aprendiz de cientista, participa do Programa WASH desde 2013, é coautora do Documento de Referência, foi bolsista, sendo, ao mesmo tempo, testemunha ocular, participante e, agora, contadora dessa história.

Mais sobre a dissertação

Veja um resumo da dissertação, com a apresentação disponibilizada. Clique aqui!


Redação: Denise Vieira