A Série Heliópolis tem ciência, faz ciência e vive ciência ─ uma iniciativa do WASH, em parceria com a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS),  Universidade Federal do ABC (UFABC) e Observatório de Olho na Quebrada  ─ traz à reflexão dois temas de grande importância para a sociedade, nesta terça, dia 13/09: a questão da “Mobilidade Urbana” e o vídeo “Esquecidos”, que aborda a situação de moradores de rua. São, respectivamente, o sétimo e o oitavo vídeos desse catálogo de pesquisas da Iniciação Científica de alunos da EMEF Luis Gonzaga do Nascimento Jr. – Gonzaguinha, na Favela de Heliópolis, de estudantes da UFABC e da equipe da UNAS.

Os vídeos foram produzidos durante o I Encontro de Jovens Pesquisador@s de Heliópolis e IV Seminário do Projeto Jovens Pesquisador@s, durante o mês de outubro de 2021; e, recentemente, editados.

A frase “a Mobilidade é o que permite o uso e o direito à cidade” sintetiza um conjunto de questões que são colocadas e dá importantes pistas sobre o que o vídeo 7– O uso de metodologias qualiquantitativas no ensino de questões sobre mobilidade urbana em Heliópolis – o ensinar sobre o ir e vir em Heliópolis, pesquisa de Luiz Felipe dos Anjos, da UFABC, coloca em pauta.

Neste vídeo, o estudante apresenta a importância da junção de métodos quantitativos e qualitativos para o entendimento do que está sendo pesquisado, faz incursões usando pensadores como Anthony Giddens, sociólogo britânico;  e do geógrafo brasileiro, Milton Santos, um dos mais importantes pensadores sobre urbanização no Terceiro Mundo

Luis Felipe defende que a mobilidade urbana não pode ser vista somente sob o olhar dos grandes deslocamentos, mas, também, abarca os microdeslocamentos, o ir e vir no território onde se vive, dentro da comunidade. E, a partir daí, discute a segurança, a falta de equipamentos como ciclovias na comunidade, por exemplo.

O jovem pesquisador, que estuda Planejamento Territorial em Ciências Humanas, na UFABC, destaca que o direito à cidade é limitado em razão do território em que se vive. “O território é o nosso RG”, o espaço onde estamos determina isolamentos, segregação, o acesso ou não a uma série de direitos”, argumenta.

Felipe, ainda, lembra que o conceito de distância não é só espacial, mas econômica, e cita o próprio território de Heliópolis, que  não é tão distante geograficamente do Centro, mas a distância econômica promove segregação e isolamento, que são internalizados pelos moradores.

Ao abordar isso, ele destaca a questão da imagem da periferia e os estereótipos construídos, a questão do pertencimento e do acolhimento no território.

Ele coloca questões como: “quem sou, onde estou e como eu posso acessar a cidade? que podem ajudar a compreender o direito à cidade e, ainda, o papel da escola para ajudar a questionar e romper com o peso da questão do território na definição dos direitos do cidadão.

Vídeo 08 – Esquecidos – moradores em situação de rua

Os motivos, os riscos e as consequências de se viver nas ruas são abordados na pesquisa do grupo de estudantes Carlos, Douglas, João e Geovanna, (da EMEF Gonzaguinha).

Intitulado “Esquecidos – Moradores de rua”, a vídeo-apresentação dos alunos destaca os fatores que influenciam os cidadãos a morarem nas ruas, entre eles: o álcool e as drogas, o desemprego e  os conflitos familiares. Os riscos que esse grupo enfrenta, como a falta de alimentação, à vulnerabilidade em relação às questões climáticas como frio e chuvas; dificuldades para dormir;  a vida sob tensão, que resulta em stress; e até agressões vivenciadas por esses cidadãos.

Os estudantes chamam atenção ao desrespeito ao Artigo 5º da Constituição, que preconiza que todo cidadão tem direito à moradia e ressaltam as consequências da falta de moradia, que resulta em mortes em todas as idades; em fome e, ainda, em problemas de saúde pública como o alcoolismo e as drogas.

Ao tratar deste tema, os jovens pesquisadores partem para a ação e propõe um gesto de solidariedade na Escola Gonzaguinha, com um convite para um olhar ao outro e com a arrecadação de alimentos, que serão destinados a uma instituição que atende moradores de rua.

Vídeos já publicados na Série Heliópolis

Já foram publicados até, agora, seis vídeos, confira:

Video 01 – Educação e perspectivas étnico-racial

Vídeo 02 – Os impactos da pandemia na vida das diaristas e trabalhadoras do lar

Vídeo 03- Alfabetização Científica no Ensino Fundamental

Vídeo 04 – Círculo de leitura entre jovens ou como vencer a adversidade?

Vídeo 05 – Analfabetismo no Brasil

Vídeo 06 – Como os professores trabalham o tema do descarte de resíduos em Heliópolis?”

A série Heliópolis tem ciência vem sendo divulgada, gradativamente, no canal do YouTube do Projeto WASH.

No próximo ida 15/09, os dois últimos vídeos serão lançados. A Série Heliópolis está imperdível e, é um modelo de produção da iniciação científica, no Projeto WASH.

Cronograma de novas publicações:

Dia 15/09 – quinta-feira

  • Vídeo 09 – Educação Integral desde o bairro educador

Apresentação: Adryelle Cabral dos Santos (Ensino Médio)

  • Vídeo 10 – Práticas de Iniciação Científica no Ensino Médio – Temáticas sociais e questões comunitárias

Apresentação: Isis dos Santos (UFABC)

Texto: Denise Pereira