Chico Simões coordenará uma vivência em impressão 3D, com cerâmica, para os participantes do evento

O coletivo Tropixel, rede que organiza eventos e publicações envolvendo arte, ciência, tecnologia e sociedade, realiza seu encontro anual, esta semana, entre os dias 28 e 31 de julho, na sede do Instituto Neos, na Praia do Estaleiro, em Ubatuba.

Chico Simões, Anita Ekman e Jean Jaques Vidal

No encontro, definido pelos organizadores, como um momento para “pensar em como sobreviver a este ano difícil e o que fazer depois dele”, o Projeto WASH será representado pelo bolsista Chico Simões, que vai ofertar uma vivência em impressão 3D, em cerâmica, para os participantes do evento.

Chico Simões faz parte de um grupo independente de artistas, designers e pesquisadores que está participando do projeto Atlas of Lost Finds, proposto pelo Instituto de designer belga Unfold, que tem por finalidade a recuperação de peças artísticas perdidas.

Simões participou, no ano passado, de uma Chamada aberta do Unfold para ajudar a reconstruir uma peça que foi perdida no incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Trata-se do caso Felídeo, um vaso da cultura peruana Chimú. O projeto que Simões apresentou, junto com sua irmã, foi o único brasileiro selecionado nesta Chamada.

A partir dessa experiência, desenvolveu um novo projeto. “Fizemos uma proposta de decolonização de acervos museológicos. Esta primeira versão foi para recuperar o Felídeo”.

Uma segunda experiência, será com uma urna marajoara, escaneada no Museun Aan de Stroon (MAS), na Antuérpia/Bélgica. “E do Museu Etnográfico de Berlim, Hulbold Forum, escaneamos uma peça de origem Guarani. Por conta dessa peça e de conexões com outros projetos, vamos trabalhar em aldeias Guaranis de Ubatuba e Bertioga. É essa experiência de utilizar impressão 3D, em cerâmica, que vamos ofertar no Tropixel”, conta Simões, que desenvolve oficinas sobre impressão 3D em escolas, e atua como multiplicador, na Frente Multiplicadora do Projeto WASH em Santo André e Campinas.

Esse trabalho com as peças de origem Guarani vai resultar, inclusive, em uma exposição no Rio de Janeiro, em 2023. Já, o trabalho com a urna marajoara vai culminar com uma vivência na Ilha de Marajó (PA) em setembro, com ceramistas indígenas e antropólogos da região. “Esse projeto se desdobrou em outras coleções. Serão 15 dias de imersão e vivências no território marajoara”, informa Simões. Ele explica que a impressão 3D, em cerâmica, trabalha com o barro como material, ao invés do plástico, mais usado nas impressões 3D. “A vivência que vou apresentar no Tropixel está relacionada com minha pesquisa pelo WASH”, completa.

A proposta do Tropixel é reunir pessoas interessadas em conversar, planejar e agir em torno de cultura, ciência, natureza, sociedade e tecnologia, além de articular criticamente particularidades brasileiras na fronteira entre cultura e tecnologia.

Texto: Delma Medeiros