Gustavo Henrique de Almeida Silva, de Jacareí, participou do Projeto WASH em 2021, com pesquisa que abordou desigualdade e preconceito no esporte
Para refletir sobre a desigualdade de gênero e o preconceito que ainda impera em determinados esportes, o estudante do 3° ano do Ensino Médio Integrado em Administração, do Instituto Federal São Paulo (IFSP) Campus Jacareí, Gustavo Henrique de Almeida Silva (foto), 17 anos, realizou uma pesquisa sobre futebol e futsal de mulheres. O trabalho foi supervisionado pelo professor Victor Barbosa Ribeiro, orientador do Projeto WASH pelo IFSP Jacareí.
A pesquisa resultou no artigo “Futebol e Futsal de Mulheres: estigmas e avanços”, que foi publicado no Caderno de Educação Física e Esporte (CEFE) da Universidade Estadual Oeste do Paraná (Unioeste), em 22 de junho deste ano, assinado por Almeida Silva e Ribeiro.
De acordo com Ribeiro, a escolha do tema decorre da grande desigualdade de gênero que se observa no dia a dia, além do desrespeito em várias esferas da sociedade. “Dentro da área de atuação da educação física escolar há espaços para discutir o assunto, que entendemos ser de extrema relevância. São inegáveis os avanços relativos ao futebol e futsal de mulheres. Entretanto, ainda há preconceitos que precisam ser superados”, coloca Ribeiro. “Buscamos avaliar os avanços dos últimos anos e as principais limitações para que tais ocorressem. Além disso, gostaríamos de entender se existiam experiências positivas de redução das desigualdades de gênero nessa área”, reforça.
No estudo, no âmbito do Projeto WASH, foi feito um jogo voltado para o público infantil, utilizando a linguagem Scratch, sobre as barreiras enfrentadas por mulheres dentro do futebol e futsal femininos. Também foi realizada uma revisão de literatura do assunto, que culminou na publicação do artigo científico no CEFE da Unioeste.
O futebol de mulheres enfrentou muitos preconceitos ao longo da história, chegando a ser proibido em 1941, por decreto que foi revogado apenas em 1979. Segundo os pesquisadores, a situação apresenta melhoras, mas ainda enfrenta barreiras. “Com o passar do tempo, as pessoas vêm aceitando mais a modalidade, entretanto, ainda há um longo caminho para que o futebol de mulheres seja tão aceito na sociedade quanto o futebol de homens”, afirma Almeida Silva.
Na pesquisa, ele confirmou que o futebol masculino tem muito mais horas de transmissão na TV aberta, que o de mulheres. “Isso é uma evidência clara do preconceito que ainda existe na mídia e na sociedade. O preconceito também é evidenciado nos relatos de algumas jogadoras que afirmaram já terem sido alvos de discursos preconceituosos”, aponta o estudante.
Para Almeida Silva, os principais desafios para o esporte são o reconhecimento do futebol de mulheres e um maior apoio de patrocinadores, uma vez que muitos encaram, ainda, o futebol como um esporte para homens. “A partir desse pensamento é que decorre todo o preconceito que precisa ser descontruído desde cedo, no ambiente escolar e nas discussões que permeiam a sociedade, incluindo a mídia”.
O estudante avalia que, além da pressão da sociedade e, eventualmente, da família, o pequeno espaço na mídia contribui para esse quadro. “A mídia não oferta para as mulheres o mesmo espaço que dá aos homens. Assim, elas não têm tanta visibilidade e reconhecimento, o que reduz, também, os investimentos dos patrocinadores”, aponta Silva.
A pesquisa foi realizada a partir de artigos selecionados do Portal de Periódicos da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes). Para a seleção, foram definidos alguns critérios, como: a data de publicação (período definido entre 5 de agosto de 2016 e 5 de agosto de 2021); a pertinência do assunto tratado e a relação com o tema. “Após a exclusão de todos os artigos que não se encaixavam nos critérios, foi contabilizado um total de 15 artigos para se discutir”, informa Silva.
A partir daí, os artigos foram categorizados nos seguintes tópicos: Preconceitos: ainda existem?; Atuação da mídia: qual a repercussão?; Sociedade, motivações e acessibilidade ao futebol e futsal de mulheres nos tempos atuais.
Os pesquisadores analisaram ainda a desigualdade salarial entre jogadores e jogadoras; o preconceito enfrentado por jogadoras devido ao uso de uniformes de “padrão masculino”; a influência da mídia, que tem o dever de usar seu poder para diminuir os estigmas e colaborar com o avanço do esporte.
Para Silva, “em tese, há sim, o aceite das mulheres, mas menos do que deveria. Há, ainda, muitos desafios a serem enfrentados”. Ribeiro concorda e destaca que é nítida a dificuldade de se aceitar o futebol de mulheres. Discursos como “futebol não é coisa para mulher”, comprovam isso.
O artigo conclui que o preconceito contra o futebol e futsal de mulheres ainda persiste; mas que houve aumento da divulgação das modalidades nas mídias televisivas, o que pode ajudar a acabar com os estigmas num futuro próximo. E ressalta que “políticas públicas de incentivo precisam ser mais exploradas.”
Confira o artigo na íntegra no link: https://e-revista.unioeste.br/index.php/cadernoedfisica/article/view/28992
Texto: Delma Medeiros