O festival nos EUA vai apresentar, entre outros, o game AvantGarden e o trabalho do WASH-USP, desenvolvido em Brotas

Fomentar uma reflexão sobre o meio ambiente nas grandes cidades e sua manutenção participativa são propostas do game AvantGarden, título que será destaque na rede mundial Games for Change 2022, festival anual que acontece entre os dias 13 e 16 de julho, em Nova York.

A representação brasileira vai, ainda, distribuir baralhos de cartas para promover a campanha “Educação para a Justiça” da ONU, com foco no estado de direito a apoio à diversidade; ações no metaverso (atividades em realidade virtual) que promovem a cura pela meditação, a superação de traumas e até a dependência química; e o trabalho desenvolvido pelo Projeto WASH, em parceria com a Universidade São Paulo (USP), em Brotas, interior de São Paulo.

A proposta do projeto WASH-USP-Brotas, que será apresentado em Nova York está, ainda, em desenvolvimento, de acordo com Gilson Schwartz, presidente da Games for Change América Latina (G4C Latam) e professor livre-docente de produção de games no Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA/USP). “Agora estamos preparando uma mobilização dos alunos de ensino fundamental da Escola Estadual Dinah Lúcia Balestrero, em Brotas. No primeiro semestre, seis alunos e uma professora participaram do processo. Até o momento, trabalhamos basicamente na criação de um projeto ligado ao turismo de aventura no município”, explica Schwartz, que é orientador do WASH pela USP em Brotas.

Segundo ele, o projeto foi apresentado ao prefeito da cidade, em reunião com as secretarias de Turismo e de Educação. “Estamos, ainda, preparando uma reunião com as empresas do município, por meio da Associação de Empresas de Turismo de Brotas, a Abrotur. O projeto vai avançando, sempre buscando essa conexão com o governo municipal, e a perspectiva desse jogo virar uma ferramenta de promoção do desenvolvimento local”, informa Schwartz.

Essa ideia básica será apresentada no Games for Change, em Nova York, neste sábado, 16 de julho. “As crianças da equipe devem participar ou gravar um vídeo para falar sobre a evolução do projeto, que ainda não está pronto. Estamos na fase de consulta à comunidade e preparação do processo seletivo de alunos (as) do ensino fundamental, que virão a participar no segundo semestre”, coloca.

No final de março deste ano, foi realizada a primeira oficina internacional do projeto, em parceria com a Universidade de Coventry, na Inglaterra, com o tema “Cidade Acolhedora: Primeiros Passos na Criação de um Jogo Transformador“. A oficina teve a coordenação de Luca Morini, do Disruptive Media Learning Lab (DMLL) de Coventry; com participação de Mark Dawson, também pesquisador do DMLL-Coventry; Gilson Schwartz, professor da ECA-USP e presidente da Games for Change América Latina e Elaine Cristina dos Santos, orientadora local do WASH na Escola Dinah.

AVANTGARDEN

O game AvantGarden será jogado por jovens lideranças em 17 CEUs de São Paulo e nos campi da USP da Cidade Universitária e da Zona Leste. A proposta é acelerar a transformação da Capital numa rede de jardins, parques e hortas.

A abertura de oportunidades para criadores brasileiros e o anúncio dos primeiros projetos em destaque aconteceu no sábado, 9 de julho, no BIG Festival, o mais importante evento nacional voltado para jogos independentes e tendências de mercado.

“Para a Games for Change, que atua na América Latina desde 2010, o BIG Festival é, também, uma oportunidade única de diálogo com a indústria brasileira, os criadores, patrocinadores e investidores em games voltados a acelerar a superação da crise atual”, afirma Gilson Schwartz, presidente da Games for Change América Latina (G4C Latam). “Nossa missão é apoiar projetos alinhados às ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) que, através da gamificação, acelerem a superação da crise em áreas como educação, saúde individual, coletiva e ambiental, cidadania e direitos humanos e, até mesmo, conforto espiritual no metaverso”, conclui Schwartz.

A G4C Latam é parceira do game AvantGarden, que propõe ações de mapeamento via crowdsourcing, ocupando 17 CEUs de São Paulo e ainda os dois campi da USP, na Cidade Universitária e na Zona Leste. Paulo Hartmann, o criador do jogo, é um designer e ativista de inciativas de fomento ao pensamento crítico. Captou, pela startup Incentiv.me, 100% dos recursos junto ao Programa da Secretaria Municipal de Cultura (PROMAC), a “Lei Rouanet” da prefeitura paulistana.

“Em parceria com a G4C Latam, grupos de pesquisa da USP e parceiros estratégicos no setor privado, vamos renovar, por meio de atividades lúdicas, o cuidado com as áreas verdes da cidade de São Paulo onde elas existem e, também, promover que novos espaços sejam provocados a refletir e aplicar a 10  dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODSs)”, informa Hartmann.

O meio ambiente e a cultura gamer são o foco de outra proposta: um concurso de audiogames em parceria com Antonio Teoli, usando o banco de sons de instrumentos amazônicos do projeto https://www.theamazonic.com/ em homenagem a todos os que defendem e tantos já sacrificados em defesa dos povos da floresta. Por meio de oficinas oferecidas no segundo semestre no ciclo “Jogos Online, Infância e Adolescência” (JOIA 2022), escolas e outros interessados serão orientados a criar jogos com temas de alto impacto nas suas realidades locais, regionais, nacionais ou mesmo globais.

Texto: Delma Medeiros (com informações do site: https://www.gamereporter.com.br/avantgarden/)