Estudantes do ensino médio, orientados por docentes da USP, vão conhecer o campus pela primeira vez

Por conta do isolamento social imposto pela pandemia, que proibia atividades presenciais de extensão na Universidade São Paulo (USP) até abril deste ano, bolsistas do Projeto WASH, de escolas paulistanas, vão conhecer pela primeira vez o campus universitário. A visita, para estudantes do ensino médio das escolas estaduais Cidade de Hiroshima e Professor Mauro de Oliveira, está agendada para a próxima sexta-feira, 27 de maio. Em torno de 18 bolsistas, com idades entre 15 e 18 anos, orientados por docentes da USP, participarão do encontro.

“Os estudantes fizeram a pré Iniciação Científica toda em ambiente virtual em função da pandemia. Agora, no final do Projeto, a USP liberou as atividades de extensão no Campus e decidimos levar nossos bolsistas para conhecer algumas das atividades abertas ao público”, informa Mariana Moura, bolsista do WASH junto à USP e organizadora da visita.

Segundo Mariana, a USP promove várias atividades com alunos de escolas públicas, como visita a seus museus, por exemplo. “Mas esta será especial para os bolsistas do WASH vinculados à universidade”, explica Mariana.

Ela esclarece que a escolha dos locais foi devido à facilidade de acesso e pelo interesse científico. “Nosso próximo ciclo deve ser sobre energia e meio ambiente. Então, a ideia foi mostrar para as turmas as possibilidades de temas de pesquisa”, aponta.

No período da manhã haverá uma reunião de pesquisa no Instituto de Estudos Avançados (IEA), seguida de uma visita à exposição “Sete Milhões de Anos de Evolução Humana”. A miniexposição, na verdade uma instalação, foi montada como evento de longo prazo no IEA-USP, no início de 2020, tendo como curador o professor Walter Neves. A mostra é composta por um grande painel resumindo a linha do tempo da evolução humana, à frente do qual são dispostas seis vitrines com réplicas dos seguintes hominínios: Sahelanthropus tchadensis, Australopithecus afarensis, Homo habilis, Homo erectus, Homo neanderthalensis e Homo sapiens. Cada vitrine é provida de uma aba externa nas quais são apresentadas as características de cada espécie, sua cronologia e distribuição geográfica.

No período da tarde, os estudantes poderão conhecer o Museu de Geociência, do Instituto de Geociência, e o Laboratório de Descargas Atmosféricas, no Instituto de Energia e Ambiente da USP. A visita será acompanhada, também, pelo físico Wil Namen, um dos fundadores do Movimento Nós Somos a Ciência e pesquisador do WASH.

O Museu de Geociências da USP teve origem nos anos 30, por iniciativa do Professor Ettore Onorato, que doou sua coleção particular de minerais para que fossem utilizados como material de apoio em aulas práticas da disciplina “Geologia e Mineralogia” do curso de Ciências Naturais da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). A coleção foi crescendo com a coleta de amostras de campo dos alunos (as), transformando-se no Museu de Mineralogia. O acervo desenvolveu-se com a aquisição e/ou doações de outras coleções. Nos anos 1970 o museu foi reformulado, passando a receber o nome do novo instituto que o abrigaria, Geociências. Desde então, o acervo do Museu cresce com doações de colecionadores particulares e entusiastas.

O acervo atual do museu, entre fósseis, minerais, rochas, meteoritos, gemas e espeleotemas, conta com 2,5 mil amostras em exposição e cerca de 7 mil na reserva técnica. As principais atrações são: uma réplica de um Alosaurus fragilis em tamanho natural, com 14 metros de comprimento; o Meteorito Itapuranga, o 3º maior do Brasil, com 624 kg; o fóssil de pterossauro Tupandactylus navigans, único exemplar completo no mundo; entre outros.

Em 2017, foi inaugurada no museu a exposição “Fósseis do Araripe”, resultado de uma apreensão da Polícia Federal em uma operação de contrabando internacional, que estabeleceu o Instituto de Geociência como Fiel Depositário do material apreendido, com a contrapartida de que parte deste fosse exposta ao público.

Texto: Delma Medeiros (com informações do Prceu-USP)
Revisão: Nádia Abilel de Melo

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