Para Thatiane Verni Lopes de Araújo, diretora da Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, de Londrina, as escolas precisam criar ambientes propícios ao desenvolvimento de seus alunos e alunas

Thatiane Verni Lopes de Araújo

Desenvolver atividades que despertem o interesse dos estudantes e estimulem a iniciação científica desde a educação básica é um dos focos de atuação da Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, de Londrina (PR). Para tanto, a diretora da escola, Thatiane Verni Lopes de Araújo, criou um ambiente makerspace em que o trabalho tem como foco desenvolver nos alunos a capacidade de raciocínio e de resolução de problemas. Aliás, a implementação de um makerspace em séries iniciais do ensino fundamental foi objeto de dissertação da tese de mestrado em Ensino de Ciências Humanas, Sociais e da Natureza, defendida por Thatiane, em 2019, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Nesse ambiente adequado, a escola se vale da abordagem pedagógica do método STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática) para realizar esse trabalho, em parceria com o Projeto WASH, o que, segundo Thatiane, tem contribuído de forma significativa no ensino público, proporcionando aos alunos uma aproximação com a linguagem de programação de computadores e com o universo científico.

A diretora destaca que é fundamental envolver as crianças e jovens na alfabetização científica. “Não é fácil fazer ciência, os recursos são escassos, mas estimular o raciocínio lógico, incentivar os estudantes a descobrirem a ciência faz todo o diferencial”, avalia.

Thatiane conversou com o Projeto WASH sobre esse trabalho de iniciação científica desenvolvido na Escola Panico e sobre suas vantagens para o aprendizado das crianças e adolescentes. Ela citou, ainda, que a pandemia, com a impossibilidade de aulas e ações presenciais, mostrou a importância da inserção da tecnologia no processo educacional. Confira a seguir a entrevista.

WASH: Como foi o processo de implementação do makerspace nas séries iniciais do Ensino Fundamental?

Thatiane Araújo: O trabalho da Escola Panico é voltado para desenvolver atividades que estimulam a iniciação científica na educação básica. O ambiente makerspace nos permite trabalhar para desenvolver nos alunos a capacidade de resolução de problemas. A minha tese de mestrado trouxe a implementação de um ambiente que fosse voltado para trabalhar a iniciação científica na educação.

A princípio, a ideia, além de aproveitar um espaço ocioso na unidade escolar, era de oportunizar aos alunos propostas inéditas e que os aproximassem do universo científico.

WASH: Qual foi a resposta das crianças ao makerspace?

Thatiane Araújo: Muitas vezes, os alunos eram desprovidos de recursos e oportunidades e nesse ambiente onde a pesquisa torna-se parte da rotina escolar foi muito importante a criação desse tipo de espaço em uma esfera pública. A resposta das crianças à criação desse ambiente foi muito significativa e emocionante.

WASH: Como a senhora avalia a importância da iniciação científica desde a infância?
Thatiane Araújo: Despertar o desejo de aprender nas crianças, nos estimula e motiva sempre a trabalhar por melhorias no makerspace, principalmente na busca constante de parcerias e trabalho em rede.

WASH: É fácil ser cientista no Brasil? A questão de gênero ainda interfere?

Thatiane Araújo: Infelizmente, não é fácil ser cientista. Os recursos ainda são poucos desde a educação básica . Faz-se urgente mais investimentos e criações de espaços tais que oportunizem aos alunos ofertas diferentes de ensino e transposições didáticas, em que estimulamos os estudantes a serem ativos no processo de ensino.

Cabe, aqui, ressaltar a importância da formação continuada e de incentivo a práticas escolares que desenvolvam a capacidade de resolução dos alunos. Exemplo dessa prática é a inserção das feiras científicas como fechamento dos projetos desenvolvidos na escola.

WASH: A senhora é uma entusiasta da ciência e promove feiras científicas com os alunos/alunas da Panico. Como é a resposta dos estudantes e seus familiares?

Thatiane Araújo: Na Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico já foram realizadas quatro edições de feiras científicas, em que foram apresentados trabalhos que tiveram grande relevância no ambiente acadêmico, tais como: detector de sensor de escorpião; mão hidráulica; atividades de inclusão por meio de formulários Google com respostas utilizando mouse ocular, entre outras.

Nos anos 2020 e 2021 essas feiras foram feitas de forma remota e, mesmo assim, tivemos excelentes resultados. Os trabalhos foram feitos por meio da plataforma “Classroom”; e, por meio de lives, os alunos realizavam trocas de experiências e postavam suas soluções às problemáticas.

WASH: Como foi desenvolvido esse trabalho remoto?

Thatiane Araújo: Foi realizada uma pesquisa com a comunidade, a fim de mapear quais eram suas dificuldades com relação ao ensino híbrido. Diante dessas dificuldades pensamos em estratégias de ensino que pudessem conectar essas crianças ao projeto despertando o incentivo à pesquisa. E mesmo com a pandemia eles apresentaram suas propostas e projetos de modo remoto, garantindo a segurança devido ao enfrentamento da pandemia e a continuidade do trabalho iniciado no presencial.

WASH: Como a Sra. avalia o trabalho desenvolvido pelo Projeto WASH nos processos de divulgação científica?

Thatiane Araújo: A parceria do Projeto WASH só vem somar com todo o trabalho desenvolvido na escola. Essas parcerias tornam-se fundamentais em benefício dos alunos e alunas. Há uma aproximação do ambiente acadêmico e de outros municípios com práticas que estimulam a aprendizagem. A troca é fundamental para a melhoria da didática, a aproximação com novas ideias e as sugestões que contribuem significativamente para implementação de novos conhecimentos. Torna-se um estímulo ao estudante que tem acesso ao projeto e também a quem ministra as atividades.

É fundamental que o Projeto WASH seja aplicado em toda a rede municipal, pois auxilia não só o aluno, mas proporciona uma melhoria pedagógica na prática docente estimulando a busca por novas formas de transpor conteúdos.

WASH: No ano passado, a Escola Panico participou da 18ª. Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNTC), dentro das atividades do Projeto WASH. Como a Sra. avalia essa participação?

Thatiane Araújo: A popularização da ciência aproxima e estimula os alunos quanto ao ato de pesquisas e desenvolvimento de projetos. A participação da escola na SNCT foi fundamental como estímulo às pesquisas e reconhecimento do trabalho que vem sendo realizado de forma a oportunizar conhecimento, trocas de experiências e fortalecimento da rede de contatos e apoiadores das atividades desenvolvidas. Agradecemos pelo carinho e oportunidade dados pelo Projeto WASH, que tem se mostrado um parceiro fundamental na iniciação científica da escola pública, somando com iniciativas que vêm sendo desenvolvidas.

WASH: O que recomendaria para as meninas que querem seguir a carreira de cientista?

Thatiane Araújo: Avalio que ciência também pertence às mulheres, que todos podemos desenvolver pesquisas, motivar novas descobertas e criar atividades para que mais meninas tornem- se cientistas.
Com garra e determinação, as meninas e mulheres conseguem realizar suas propostas. Aproveito para parabenizar todas as alunas e mulheres que acreditam na educação, pois é por meio dela que podemos fazer a diferença.

Texto: Delma Medeiros e Denise Pereira

Revisão: Nádia Abilel de Melo e Denise Pereira