Em sua nona edição, Festival Games for Change América Latina 2021 discute ética, saúde e cidadania

O Conexão WASH estreia nesta sexta-feira, no canal do Youtube do Programa WASH, uma entrevista especial dedicada ao Games for Change Festival Latin América, evento que tem como foco estimular a criação de jogos que contribuam para a educação, desenvolvimento social, diversidade cultural e inovação nas diferentes áreas do conhecimento. O físico Wil Namen, do Movimento Nós Somos a Ciência, conversa com o professor  Gilson Schwartz, coordenador do Festival e professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP); e com Priscilla Fenics, rapper, MC, pesquisadora e mestranda na USP, e que fará o show de encerramento do G4C, no dia 14 de novembro.

O professor explica que sua atração pela tecnologia vem desde a infância e só aumentou ao longo do tempo. Tanto que na universidade orientou seu trabalho para essa área. Ele destaca a força da indústria dos games no mercado. “Os games hoje têm um faturamento maior que a indústria do cinema e da música juntas. O Festival quer impulsionar os talentos desse mercado incentivando o engajamento em causas entre especialistas em game design, animação, áudio, gestão empreendedora, roteiro, entre outras áreas técnicas”, afirma. Schwartz conta que descobriu o Festival Games for Change em 2010 e trouxe esse movimento para o Brasil, com a proposta de promover essa transformação, para que as pessoas se conscientizem de que o games, como o cinema e a música é um mercado concentrado em função do lucro, por isso corre o risco de perder os valores da arte.

Pri Fenics reforça que o game está dentro do universo da produção criativa. “Como as outras artes tem o fator entretenimento, mas também é um espaço para transmitir narrativas, reproduzir o que está no universo dos criadores”, coloca. “O festival propõe discutir e dar visibilidade a diversidade.”

Sobre o acesso à tecnologia, Schwartz diz que “a situação no Brasil é dramática”. “A conexão é muito alta, mas a qualidade é baixa”, afirma e cita a porcentagem restrita de quem dispõe de banda larga no país (16%), têm computador em casa, celular pós pago etc, ferramentas fundamentais para facilitar o acesso. Segundo ele, o Brasil arrecada recursos para inclusão digital, mas esses são usados no pagamento de contas públicas. “O Brasil não investiu em inclusão digital, e a conexão à rede é um direito de todos, gratuitamente”, destaca. Para o professor, a internet cria uma “ilusão” de inclusão.

 Schwartz diz que estruturalmente há um sistema de exclusão, pelo racismo, pela concentração de renda, acesso a serviços públicos. Para ele, na cultura digital há um enfrentamento de dois problemas: a qualidade digital e a ausência de políticas públicas. Aponta que os games educacionais poderiam ter feito muito na pandemia, mas perdeu-se a oportunidade de aprimorar, de qualificar a inclusão digital. ”A produção de um game envolve várias habilidades. Aprender a criar um jogo pode ser uma forma de educação para o século 21.”

Pri destaca que a integração entre música, jogos, arte é muito importante. E diz que a participação do G4C vai lhe dar oportunidade de conhecer coletivos, fazer contatos e chamar outros artistas a participarem. “Essa é uma forma de construir uma narrativa comum.”

Schwartz avalia que o festival cria uma conexão com a área acadêmica em que os games discutem a questão da diversidade, de gênero, do racismo, do movimento LGBTQIA+, da mulher preta, da acessibilidade. “Somos diversos, mas todos seres humanos. O game tem esse papel de trazer à tona toda nossa herança cultural”, afirma, lembrando que no audiovisual a postura de cultivar a diversidade está mais enraizada.

Ele afirma que o G4C está baseado no tripé ética, saúde e cidadania, o que resulta em justiça. Ele aborda ainda a questão delicada da possível dependência e cita que os efeitos no cérebro são similares aos de outros vícios e devem ser estudados. “Se vicia? Depende muito do contexto. Há que construir territórios saudáveis e criar a cidadania lúdica.” Schwartz reforça que G4C abarca duas etapas: a colaborativa, de troca entre as pessoas, e a competitiva, o Pich for Change. AA inscrição está aberta a projetos, protótipos ou ideias com potencial transformador, e que o projeto não precisa estar finalizado. Os finalistas receberão um email de confirmação, terão dez minutos para mostrar sua proposta, e receberão orientação de uma banca especializada.

Pri Fenics ressalta que o Festival abre a possibilidade de trocas, de permitir um momento de celebração, de encontro de linguagens diversas. E lembra que o show de encerramento traz uma visão muito especial sobre a diversidade na cultura, as transformações necessárias que podem e devem ocorrer.

O G4C ocorre nos dias 12, 13 e 14 de novembro, das 9h às 21h, sendo que todos os dias, das 18h às 21h são realizadas oficinas para ensinar como fazer games, utilizando o Scratch, em parceria com o WASH; o Godot e o coletivo Lúdico que ensina jogos analógicos. O evento é gratuito e pode ser acessado pelo link: latam.gamesforchange.org.  

Schwartz destaca as muitas participações especiais do Festival, como Miguel Cirrat, da Universidade de Copenhagem, Linda Pagani, da Universidade de Montreal, Marcelo Vasconcellos, da Fiocruz, entre outros. O WASH participa com palestras, oficinas e  apresentação dos jogos desenvolvidos pelas crianças e bolsistas no âmbito do Programa. No primeiro dia do evento, 12, às 15h30, o coordenador do WASH junto ao CNPq, Victor Pellegrini Mammana, falará sobre “Games e Educação no Século 21”. 

No dia 13, às 11h, Elaine Tozzi, Coordenadora da Aplicação da Metodologia do Projeto WASH no Paraná, comporá uma mesa sobre “Jogos Legislativos” juntamente com a Deputada Federal Luísa Canziani e Marcelo Arno Nierling. Na oportunidade, será apresentado o esforço do WASH no Paraná, sob o título “Mobilização e Políticas Públicas para Ciência, Tecnologia e Inovação”. A entrevista será apresentada nesta sexta-feira, 12 de novembro, às 10h, no Canal do Youtube do WASH: https://www.youtube.com/c/ProgramaWash

Redação: Delma Medeiros

Revisão: Elaine da Silva Tozzi, Wil Namen