Cemaden Educação lançou sexta edição da campanha que alerta para os riscos de desastres naturais

Os desastres naturais são uma realidade a que todos estão sujeitos. Os riscos, que sempre foram grandes, se agravaram com as mudanças climáticas que trazem longos períodos de estiagem favorecendo as queimadas, seguidos de temporais inesperados que causam alagamentos, deslizamentos de terra entre outras catástrofes ambientais. Para fazer frente ao desafio de tentar, senão evitar ao menos amenizar os riscos desses desastres, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), criou, em 2014, o Programa Cemaden Educação: rede de escolas e comunidades na prevenção de riscos de desastres. Desde então, anualmente, em outubro, lança a campanha #AprenderParaPrevenir, que está em sua sexta edição.

Sala do Cemaden/Divulgação.

A campanha #AprenderParaPrevenir2021 é o foco do “Ciência e Cultura, vamos brincar?”, do Projeto WASH, programa que será apresentado na próxima quarta-feira, 3 de novembro, na rede TVT, com transmissão em TV aberta na Grande São Paulo e ABC, e exibição simultânea pelo Youtube para as demais regiões.  

O físico e apresentador Wil Namen, do Movimento Nós Somos a Ciência, começa o programa falando sobre a Síndrome de Cry Wolf, ideia associada a falsos alarmes e como isso pode influenciar nas ações preventivas dentro do contexto dos desastres naturais. Para tanto, a Cia Cultural Bola de Meia entra em cena contando a parábola de Esopo, “O Pastor e o lobo”, sobre um menino pastor que se divertia dando falsos alarmes.

Na sequência Namen entrevista Rodrigo Conceição, tecnologista da área de desastres naturais do CEMADEN, que detalha o trabalho da unidade de pesquisa, que há 10 anos desenvolve atividades para gerar conhecimento e prevenir maiores danos causados pelos desastres naturais. Rodrigo conta que o CEMADEN monitora mais de mil municípios no país, especialmente os localizados em regiões suscetíveis a desastres naturais. “O objetivo é reduzir o número de vítimas fatais e os prejuízos materiais decorrentes desses desastres”, diz Rodrigo, citando que os maiores problemas estão relacionados a deslizamentos de terra, inundações e enxurradas.

A equipe multidisciplinar da Sala de Situação do CEMADEN envolve quatro áreas distintas, segundo ele: meteorologia, geodinâmica, hidrologia e sua especialidade, desastres naturais. Baseada nesses fatores a equipe analisa as áreas suscetíveis de desabamento ou alagamento e indica os níveis de risco: moderado, alto ou muito alto. De acordo com cada nível são tomadas as medidas no sentido de proteger a população dessas áreas vulneráveis e reduzir eventuais danos. O CEMADEN avisa o CENAD (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), órgão responsável pela preparação e resposta aos desastres que, por sua vez, envia o alerta às Defesas Civis estaduais e municipais, para que sejam tomadas as devidas providências.

O programa traz ainda depoimentos de bolsistas do Projeto WASH, falando de suas experiências com desastres naturais. Reginaldo Pereira dos Santos, presidente da Associação de Moradores do Jardim Pantanal, em São Paulo, resume bem a situação. Ele cita que mesmo com a orientação da Defesa Civil, as enchentes acontecem muito rapidamente e nem sempre dá tempo dos moradores se prevenirem. Reginaldo conta que soube do Projeto WASH pela Elaine Tozzi (idealizadora do CCVB e coordenadora do WASH Paraná), e esse trabalho tem levado mais informação à comunidade. Tatiane da Costa e Silva, bolsista do WASH e também moradora do Jardim Pantanal, diz que a proximidade da ocupação com o rio Tietê é um problema constante. Para ela, é importante que sejam realizados cursos para preparar os moradores no enfrentamento desses desastres. Rosieme Almeida Santos, presidente da Amocideus, moradora na mesma ocupação, conta que já viu a água invadir sua casa várias vezes. Segundo ela, além do susto, de ter que sair debaixo de chuva batendo de porta em porta com os filhos pequenos em busca de abrigo, as enchentes destroem tudo na casa. “Não podemos ficar com os móveis, porque fica tudo contaminado.” Rosieme também avalia que mais informações e orientações podem ajudar no enfrentamento.  A estudante Júlia, de São José dos Campos,  relata que em março enfrentou com a família uma tempestade com ventos de 97 km/h que derrubou árvores e destelhou várias casas, também gostaria de receber treinamento mais específico. “A água invadiu a casa, ficamos dois dias sem água e energia. Talvez, em outra situação saberia melhor como agir, como buscar abrigo”, comenta. Thomas, de Campos do Jordão, que mora numa área rural onde as queimadas são comuns, diz que na escola os alunos são instruídos a alertar o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Ambiental e a denunciar se virem alguém cometendo o crime ambiental.

Wil Namen destaca que as autoridades sabem dos problemas causados pela Síndrome de Cry Wolf, estudam a questão e buscam formas de não deixar acontecer os falsos alarmes, para garantir a credibilidade dos reais. Segundo ele, as medidas mais eficazes contra o Cry Wolf são informação e educação. Ele também convida os estudantes a participarem ativamente da campanha #AprenderParaPrevenir2021.

A Cia Bola de Meia encerra o Programa apresentando uma música feita especialmente para o tema, que reforça no refrão que “em caso de desastre socioambiental, nenhum alerta deve ser ignorado”.

O “Ciência e Cultura, vamos brincar?”, uma coprodução do Projeto WASH, Movimento Nós Somos a Ciência e Cia Cultural Bola de Meia, é exibido toda quarta-feira, às 12h, na rede educativa TVT, com reprise na quinta, às 17h. No ABC e Grande São Paulo sintonize no canal 44.1. No sinal digital HD aberto, pode ser assistido no canal 512 NET HD-ABC. Também é exibido simultaneamente no Youtube para as demais regiões. Mais informações no https://wash.net.br/ciencia-e-cultura-vamos-brincar/, no canal do Programa WASH  https://www.youtube.com/programawash.