Sete garotas se unem em projeto para dar mais visibilidade à participação feminina na Ciência

Sete meninas da Escola Estadual Vitor Meireles, no bairro São Bernardo, em Campinas (SP), deram origem ao grupo STEAMeninas, com o objetivo principal de agregar mais visibilidade para as mulheres na Ciência. O grupo surgiu através do Curso Steam Techcamp, que a professora Eveliyn Tiemi Takamori representa. Uma das atividades do curso pedia construir um projeto e foi assim que a iniciativa começou. Além da professora Eveliyn, o professor André Luis Malavazzi, também as auxilia. Com um perfil no Instagram, elas produzem diversas artes em formato de HQ para multiplicar conhecimento científico.
O perfil do grupo no Instagram é @steameninas.
O grupo é formado por Adriely, Cecilia, Maria Eduarda e Ana Julia, com 16 anos, e Isabelly, Tayna e Larissa, que têm 17 anos. Juntas nessa jornada, cada uma vem seguindo com um projeto diferente. Elas por elas mesmas contam!
ADRIELLY

Eu sou a Adriely e o meu projeto se baseia basicamente nas transformações de energia na fotossíntese; estou em fase de pesquisa e leitura de artigos para o estudo e programação de um jogo lúdico de melhor compreensão desse tema para os alunos de oitavo e nono anos.
Estar com as meninas e fazendo algo tão inspirador, é algo inexplicável! Sou extremamente grata por essa oportunidade de poder levar a mulher na Ciência como bandeira e com meninas tão maravilhosas, inteligentes e empoderadas.
CECILIA

Me chamo Cecilia, mas muitos me chamam de Ceci, e venho desenvolvendo um projeto para os nonos anos, envolvendo animações do Scratch e o recurso sonoro chamado MicroBit. Vem sendo bem trabalhoso aprender a lidar com ambos os recursos, mas, ao mesmo tempo, isso vem sendo de muito aprendizado. Nunca pensei que eu, Cecilia, pudesse participar de um projeto de iniciação científica, fazendo coisas tão agradáveis como animação e música, tornando, aos poucos, esse bicho de sete cabeças em um “gatinho fofinho”!
Bom, como sabe, nós somos o STEAMeninas, e eu, Cecilia, queria falar um pouco mais sobre. O STEAMeninas surgiu atrás de sete meninas com gostos, sonhos e vidas únicas, diferentes, que, sinceramente, nunca imaginaria unir, mas acho que, por algum motivo, talvez as estrelas quisessem isso, formando esse laço do destino, que nos uniu. Tornando cada uma de nós cada vez mais forte! Impedindo qualquer um que tenha coragem de nos calar pelo simples fato de sermos mulheres curiosas e intrigadas com a ciência do mundo. E por mais que sejamos apenas sete simples garotas, somos sete garotas que nunca se dobraram aos “ventos da dificuldade” que são impostos pela cruel e infeliz realidade machista. E por isso estamos aqui acreditando na Ciência e no seu poder. Admito que eu nunca iria acreditar em quanta força isso teria, até nossos professores chegarem e nos avisarem sobre tudo! E com isso, pretendemos dar as mãos para todas as outras garotas cientistas sonhando com sua chance de brilhar! Como uma bandeira, carregamos um lema no qual acreditamos cordialmente, como incentivo a essas mulheres: “Eu posso fazer Ciência! Eu quero fazer Ciência! Eu faço Ciência!”. Atualmente, estamos com planos de levar essa nossa “Ciência”, ou melhor, “Empoderamento”, até 10 estados, no mínimo, até o final do ano. Já entramos em contato com as garotas de Minas Gerais e essa confraternização foi simplesmente incrível! Encontrar esses novos sotaques curiosos com esse mundo é maravilhoso e tenho certeza que será ainda mais, nas próximas vezes. Também estamos envolvidas em uma oficina na qual inspiramos e damos aulas para as crianças, mostrando a elas como, na Ciência, pode também haver arte! Atualmente, estamos com as crianças quarto-anistas da escola Padre Silva, e estamos mostrando a elas como podemos juntar a forma de arte “Stop Motion” e o conceito de “horta”, que é o que estamos trabalhando. É tanta coisa em que já estamos envolvidas!
Fora tudo isso, estamos desenvolvendo uma história em quadrinhos que daqui a pouco aumentará seu número de integrantes! Nela, nós, as sete meninas da Ciência, iremos lutar contra “as forças do mal” que se negam a acreditar na realidade do mundo científico e tecnológico. Bom, acho que já falei mais do que “palavrinhas”, mas, por último, queria só concretizar o quão único e inspirador é estar aqui com elas, com garotas tão incríveis! Às vezes, até, realmente, me sinto numa liga de super meninas!
ISABELLY

E eu, a Isabelly, ou Isa, tenho um projeto baseado nos problemas da filtragem da água, como ela pode nos afetar, e outros tópicos que a envolvem. A maior parte do projeto, até o momento, foi baseada em pesquisas e testes, já feitos, além do Scratch, que está permitindo eu aplicar essas pesquisas em um jogo, que facilitará a compreensão de qualquer idade nesse tema.
Está sendo demais estar com outras meninas tão maravilhosas como elas. Poder estar compartilhando esse momento da vida com essas meninas, que querem mostrar para a sociedade a mulher na Ciência, junto comigo, é muito empoderador. Não há palavras a mais para dizer a não ser gratidão.
LARISSA

Sou a Larissa e desenvolvo um projeto que se chama AniMat, que faço a partir de estudos da matemática sobre vértice, lado e ângulos, junto de mais alguns artistas que utilizam das formas geométricas em suas obras, para mostrar como, na arte, também tem a matemática. Também uso o programa Scratch para fazer uma animação e explicar de maneira simples e divertida.
MARIA EDUARDA

Eu sou a Maria Eduarda, mais conhecida como Duda, e estou com um projeto de animação sobre a Mata Santa Genebra. Realizei pesquisas para saber o que as pessoas sabiam sobre a mata. Concluindo minhas pesquisas, comecei a produzir minha animação com várias curiosidades interessantes, com meu projeto voltado para sétimo e oitavo anos.
Fui a primeira integrante do STEAMeninas. Quando me perguntaram se eu queria entrar em um projeto de ciência e tecnologia, fiquei com medo, pois eu nunca tinha tido contato com tecnologia e ciência juntos, mas entrei por experiência e, quando eu vi que só tinha eu de menina no grupo, fiquei com medo novamente. Aos poucos, fui me adaptando, até que nossos tutores me falaram que entrariam mais meninas. É claro, eu pulei de felicidade. O melhor de tudo é que eu já conhecia algumas delas ou até mesmo já tinha estudado com algumas, mas nem eu e nem mesmo as meninas achávamos que nós iríamos tão longe. São essas oportunidades únicas que nós temos que aproveitar e nós, STEAMeninas, estamos fazendo muito bom proveito. Não posso deixar de citar minha tutora, a professora Eveliyn, que sempre nos ajuda, e meu professor André, também. Nós temos um carinho enorme por eles e pela Escola Vitor Meireles, que nos proporciona esses acontecimentos.
TAYNÁ

Meu nome é Tayná e, bem, o tema do meu projeto é “Os céus da cultura digital” que se baseia nas estações do ano. Assim, com a ajuda da Ciência e, juntamente, do Scratch, vou desenvolver jogos e animação para auxiliar alunos do ensino fundamental e ensino médio a entender esse mundo das estações.
ANA JULIA

E por último, eu sou a Ana Julia e tenho um projeto que trata de alimentação, ou melhor dizendo, da má-alimentação das pessoas, principalmente o público juvenil. Meu projeto tem o intuito de pesquisar sobre a má-alimentação e, também, incentivar as pessoas a terem uma melhor alimentação. Venho realizando pesquisas com as pessoas, usando o aplicativo “Cômica”, mas, principalmente, o uso do Scratch para o desenvolvendo de um jogo e uma história nesse tema. E por mais que estejamos com projetos e pesquisas direcionados para caminhos, temas, diferentes, ainda estamos unidas e nos apoiando.
Fora isso, o STEAMeninas também vem promovendo forte parceria com outras jovens garotas de outros estados, que também buscam visibilidade no âmbito da ciência, fazendo essa “viagem entre sotaques” tão mágica!
Estar no STEAMeninas é estar em uma experiência incrível e única. No STEAMeninas somos sete meninas, meninas com gostos e opiniões diferentes. Estou amando conhecê-las cada vez mais. Além disso, estamos nos expandindo, assim conhecendo outras meninas de outros lugares. Estou aprendendo com cada uma e juntas conhecendo um pouco de tudo.
Fotos: Arquivo pessoal
Redação: Bárbara Beraquet
Revisão: Nádia Abilel de Melo