Mais estímulo à participação de meninas e mulheres na Ciência

Fruto de um projeto de extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Câmpus São José dos Campos (IFSP-SJC), a iniciativa “Alfabetização científica para o enfrentamento de pandemias” começou em agosto de 2020, durante a pandemia, quando muitas instituições dirigiram esforços para o desenvolvimento de conteúdos sobre a Covid-19 e a importância da Ciência. No IFSP-SJC, com o trabalho de alunos da graduação, pós-graduação, professores do Instituto, e com o auxílio de colaboradores externos, a iniciativa visou atingir especialmente as crianças de três a 10 anos de idade, com abordagem facilitadora, apropriada e chamativa para a faixa etária. Materiais didáticos são desenvolvidos, de forma lúdica e criativa, com linguagem que crianças, a partir dos três anos, consigam entender. 

Desde seu início, o projeto teve como parceiros a Prefeitura Municipal de São José dos Campos e o Museu Interativo de Ciências (MIC), na mesma cidade. O trabalho cresceu e, hoje, além da alfabetização científica, um clube de meninas reúne adolescentes para discutir e divulgar a importância da mulher na Ciência, por meio de lives e publicações. O perfil do instagram é o @meninasnasexatassjc e às parcerias iniciais soma-se o Programa WASH.

Clube das Meninas

Desenvolvido por alunos e professores do IFSP-SJC, e com colaboração externa, o projeto “Meninas nas Exatas: no Vale elas fazem Ciência” pretende atingir um grupo específico de meninas e mulheres que querem debater sobre o tema e incentivá-las para que persigam carreiras científicas. 

“Trazemos mulheres para conversar com as clubistas e toda a sociedade em geral, mostrando como elas se tornaram cientistas, qual a sua trajetória de vida e profissional,  estimulando as clubistas a seguirem as carreiras das ciências e das exatas”, explica Maria Tereza Fabbro. Ela é coordenadora destes dois projetos de extensão, o de alfabetização científica em tempos de pandemia e o das meninas nas exatas do IFSP-SJC, e trabalha com pesquisa na área de desenvolvimentos de jogos online para o ensino. 

“Este ano, estamos trabalhando com 25 clubistas, meninas entre 11 e 14 anos. Queremos levar o Clube para mais meninas, para outras regiões de São José dos Campos e para outras escolas”, diz Tereza, que acredita que a parceria com o WASH também é fundamental na divulgação das ações,  para não só mostrar o trabalho, mas o quanto “nossos jovens são brilhantes, criativos, críticos e têm necessidade de mais e mais oportunidades de conhecimento”, enfatiza.

Tereza conta que boa parte do trabalho é mostrar a importância da Ciência com informações verdadeiras que combatam, por consequência, as fake news.

“Nossos jovens têm visto e demonstrado, em conversas, que a educação vale a pena; que o poder do conhecimento é transformador, que gera oportunidades. Não me vejo somente dando aula da forma tradicional,  tenho sentimento, lido com pessoas, e a esperança me faz querer transformar o ensino, a educação. Quero que meus alunos possam ter consciência de um mundo melhor e que isso é parte da nossa formação”, inspira a professora.

Iniciação Científica

Com formação e experiência dirigidas à área de Química, Química dos Materiais, Química dos Alimentos, Ensino de Química e Educação, Tereza reforça que, em sua jornada, o incentivo ao estudo e à pesquisa por meio de bolsa de Iniciação Científica foi fundamental para permitir que ela se aprofundasse nas áreas escolhidas, por isso, ela busca que os alunos envolvidos nos projetos também sejam bolsistas. “A bolsa também mostra que valorizamos o trabalho desenvolvido por esses alunos brilhantes”, arremata.

No decorrer dos projetos com os jovens, ela percebe, neles, maior comprometimento aos estudos, na medida em que enxergam a Ciência nos assuntos do cotidiano. “Matemática, Química, que são os cursos que temos no Câmpus, são muitas vezes vistas como disciplinas difíceis. É muito importante fazer a transposição didática e mostrar, para eles e para toda a sociedade, o quanto a Ciência é essencial em nossas vidas”, comenta.

Redação: Bárbara Beraquet

Revisão: Nádia Abilel de Melo