Uma conversa com Luiz Gustavo Paulo Oran Barros, engenheiro civil, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Campos do Jordão; e coordenador local do Programa WASH
Campos do Jordão é mais um município paulista, que recém-implantou o Programa WASH, nas escolas públicas, em parceria com o Instituto Federal (IFSP), neste ano de 2020. A escola escolhida para adotar a metodologia foi a EMEF Dr. Antonio Nicola Padula. Para a multiplicação das oficinas de Scratch aos estudantes de 6ºs e 7ºs anos do Ensino Fundamental, foram definidos sete bolsistas do Instituto Federal. Eles atuaram com os alunos trabalhando temas como o Racismo e Vida Saudável, nas atividades de construção de jogo digital.
O Programa WASH, em Campos, tem a coordenação local de Luiz Gustavo Paulo Oran Barros, engenheiro civil, que, desde a graduação, atua com Educação de Jovens e Adultos e Informática Educacional para o Ensino Fundamental. Oran Barros é professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do IFSP. Também tem trabalhos em empreiteira de grande porte e multinacionais de codificação industrial, pesquisas e publicações em Gestão do Capital Intelectual; e, foi conselheiro do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura).
Oran Barros fala sobre a implantação do WASH no município e destaca que o engajamento no Programa possui duas vertentes: auxílio e apoio financeiro com as bolsas e inclusão tecnológica no modelo “aprender-fazendo”. Confira a íntegra!
Programa WASH – O Sr. poderia fazer uma avaliação, até o momento, da implantação do Programa WASH, em Campos do Jordão?
Luiz Gustavo Paulo Oran Barros – A equipe do WASH encontrou problemas para dar início aos trabalhos, em razão, provavelmente, da pandemia. Após o início, encontrou professores e alunos colaborativos na escola escolhida. Com novo modelo de trabalho à distância, novas competências foram desenvolvidas na equipe.
Programa WASH – Como foi o trabalho de envolvimento da comunidade escolar – professores, alunos e comunidade?
Oran Barros – Os professores da escola, até aqui, foram bem participativos. Como já tinham algumas práticas com o Google, na sala de aula, e outras atividades remotas, a equipe WASH assimilou a estrutura que a escola e seus professores já vinham utilizando. Isso deixou a adaptação mais tranquila.
Programa WASH – Como o Sr. vê o impacto deste tipo de Programa (envolvendo STEAM – sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) nas escolas públicas e para o aprendizado dos alunos?
Oran Barros – É um exercício de comprometimento entre alunos do IFSP e das escolas. Uma ponte de relacionamento e de desenvolvimento de autoestima. O WASH é a potencialização do ato de concretizar pensamentos mais abstratos nos alunos do ensino fundamental; a capacidade de criar uma nova realidade de expressão de cada identidade; e fortalecimento do cidadão, em sua expressão e seu raciocínio.
Programa WASH – Em Campos do Jordão, alunos de graduação e do Ensino Médio serão bolsistas, atuando com os estudantes da EMEF Dr. Antonio Nicola Padula. Como se deu o processo de escolha dessa escola e quais séries serão beneficiadas com as oficinas?
Oran Barros – Com a consulta e participação da Secretaria de Educação e do corpo docente do município, a escolha partiu deles e se deu como resposta às melhores condições de infraestrutura tecnológica e maturidade docente.
Programa WASH – Quantos alunos serão beneficiados pelo Programa WASH em Campos do Jordão?
Oran Barros – Em Campos do Jordão, o alcance prevê todos os alunos do Ensino Fundamental do 6º e 7º anos.
Programa WASH – Como será o calendário de atividades/oficinas?
Oran Barros – São duas opções de turno: manhã e tarde, sendo motivadas pela agenda dos bolsistas. Nessas turmas, o desenvolvimento das atividades acontecerá conforme as escolhas de temas geradores, tempo de formação dos monitores na linguagem SCRATCH e discussões de formação para os temas geradores com a equipe WASH.
Depois, são criados espaços para sugestões e prazos de entrega. Não há o tempo real, pois as atividades são feitas remotas, com entregas por meio do Google Classroom, dentro de prazos preestabelecidos e para se adequar à capacidade dos alunos em executar as tarefas. Após, as informações são trabalhadas pelos monitores, de forma interativa, para gerar os jogos, conforme a idealização dos alunos, descrita no processo anterior. As turmas atendidas já escolheram temáticas, envolvendo Racismo e Vida Saudável, para desenvolverem nas oficinas de programação.
Programa WASH – Quais são as expectativas?
Oran Barros – Em relação ao tema Racismo, esperamos que a linha de desenvolvimento traga a voz de cada um, com suas experiências transformadas, em expressões animadas de forma computacional, ou seja, uma maneira de expressar visões e sentimentos impossíveis de se escutar das crianças por meio de palavras escritas ou orais.
Programa WASH – Com a pandemia, quais são os desafios colocados para a escola, para os bolsistas e para os estudantes atendidos pelo WASH, em Campos?
Oran Barros – Como já citado, há os desafios de motivação, sincronização, liderança e ambiente. Há, ainda, dificuldade de os alunos terem, em seus lares, ambientes favoráveis às oficinas e contribuições por sugestões, nas criações dos personagens e ações dos games.
Programa WASH – Como o Sr. vê ou avalia a importância das bolsas de Iniciação Científica no IF? Qual o reflexo deste tipo de iniciativa para o aprendizado do método científico e, também, para toda a cidade?
Oran Barros – Para os alunos, a experiência indica uma iniciação a um processo de governança; um comprometimento com o papel social destinado a cada aluno do IF. O perfil dos alunos do IF, via de regra, é de classes mais pobres. Desse modo, o engajamento no Programa possui essas duas vertentes: auxílio e apoio financeiro com as bolsas e inclusão tecnológica no modelo “aprender-fazendo”. A compreensão do fortalecimento do poder do cidadão, na construção de sua sociedade e de seu ambiente, é um fortalecimento do papel histórico do IF.
Programa WASH: Conte-nos sobre a escolha/seleção dos bolsistas e por quanto tempo atuarão?
Oran Barros – Os bolsistas deverão atuar por 9-10 meses. A escolha seguiu uma linha heterogênea, desde indicações de professores, cujos alunos apresentassem desempenho mais favorável e confiável, até escolhas por alunos com dificuldade de aprendizado e com indicativos de déficit de atenção. Desse modo, buscou-se avaliar a influência do Programa no desenvolvimento dos próprios bolsistas e a capacidade de acolher alunos bolsistas com condições especiais. Assim, tentou-se montar um time mais heterogêneo.
Textos: Denise Pereira
Revisão: Nádia Abilel de Melo
Fotos: Arquivo Pessoal Luiz Gustavo Paulo Oran Barros


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