Entrevista com Maria Thereza Ferreira Cyrino, secretária municipal de Educação, em Jacareí, SP.

À frente da Secretaria Municipal de Jacareí, há quatro anos, Maria Thereza Ferreira Cyrino, tem uma intensa vivência na docência e na gestão escolar. São 43 anos na área da educação, sendo 10 anos na docência da Secretaria de Educação do Estado e 33 anos, na Gestão Escolar, na Secretaria Estadual de Educação – SP, na Rede Privada e Centro Paula Souza; além de Supervisora Regional das Escolas Técnicas Estaduais – ETECs do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Alto Tietê.

Maria Thereza foi a convidada do WASH para compartilhar o cenário da Educação, em Jacareí, e falar sobre a implantação do Programa WASH, em Jacareí. A Educação no Ensino Fundamental tem apresentado resultados positivos com melhoria nos desempenhos em Português e Matemática, nas avaliações federal (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB) e estadual (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – Saresp), comenta a secretária.  

“Oferecer educação de qualidade é acreditar no potencial humano de todos, com equidade, além de ter a certeza interna de que o céu não é o limite para a educação”, afirma Maria Thereza, que é licenciada em Matemática, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); em Pedagogia, pela Uninove; especialista em Modelagem Matemática, pela Universidade São Francisco (USF); em Psicopedagogia, também pela USF; Gestão da Educação Profissional, pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), com Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Básica, pela Universidade Federal de Juiz de Fora – CAED. Confira este diálogo, que destacou a importância da tecnologia para a Educação, em Jacareí.

WASH:  A Sra. poderia dar um panorama da educação, em Jacareí – número de escolas, alunos, professores na rede municipal e quais são os principais desafios da gestão desta pasta?

Maria Thereza: São 86 escolas, sendo 22.733 alunos. Na pandemia, já chegamos a 22.804 alunos, com os transferidos, neste período, principalmente, na educação infantil.

WASH: Como tem sido a avaliação da Educação na cidade, qual a situação no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e como está a evolução dessas avaliações?

Maria Thereza: Em 2015, IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 6,3; em 2017, IDEB 6,4 e estamos aguardando o resultado de 2019, que acreditamos ter superado significativamente esta meta. Com relação ao Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), em Língua Portuguesa, de 2017, com 41% de escolas que atingiram  a meta, passamos para 78%, em 2019, que atingiram a meta; e 96% ampliaram seus resultados; e, em Matemática, no Saresp de 2017, somente 8% atingiram a meta; em 2018, 11% atingiram a meta; e, em 2019, chegamos a 42% atingindo a meta, e 96% ampliando seus resultados. Resumindo, das 26 EMEFs, em 2019, 24 escolas ampliaram seus resultados em Língua Portuguesa e 25 ampliaram os resultados em Matemática! Resultados que considero excelentes!

WASH: A cidade conta com projetos importantes como o Cientificando e o Matematicando. Eles foram implantados na sua gestão? Fale sobre o que é cada um desses projetos, números de atendimentos e os resultados dessas experiências, além da relação desses programas com o WASH?

Maria Thereza: Sempre trabalhei por projetos, desde a época da docência, visto que tive grandes mestres como Ubiratan D’Ambrósio, Sérgio Lorenzatto, José Carlos do Patrocínio e outros. Além disto, a História da Matemática e a contextualização da Matemática em todo lugar, no nosso dia a dia, para a solução de desafios a que a vida nos reserva, sempre me encantou. Em todos os setores educacionais por onde atuei, os temas anuais sempre foram determinantes nos processos de construção do conhecimento. Por onze anos no Colégio Integrando de Itatiba, onde eu era a diretora pedagógica e em parte mantenedora, o projeto político pedagógico era totalmente construtivista, desde a creche até o Ensino Médio. 

Em Jacareí, começamos pelas competências socioemocionais: em 2017 – Vivendo Valores; em 2018 – Cidade Leitora; em 2019, Matematicando; e, em 2020, Cientificando. Quando procurados para a parceria WASH, com o Instituto Federal e o Cemaden, integramos à proposta do Cientificando, com o objetivo de despertar talentos e cientistas mirins. Observe que os programas seguem as áreas do conhecimento, de acordo com os indicadores apresentados. Mas, na verdade, todos acontecem de forma integrada.

WASH: Como a Sra. vê o impacto do STEAM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) nas escolas públicas? E qual a relação de investimentos no custo dos alunos nas escolas públicas em relação às privadas. O que é possível fazer para oferecer uma educação de qualidade, levando-se em conta a diferença de investimento? Qual é o valor/custo aluno-hora na cidade?

Maria Thereza: É um desafio o STEAM em nossa rede pública, pois ainda não temos os laboratórios móveis que estão em fase de licitação para o próximo ano. Temos netbooks, para levarmos em escala para o projeto. É importante a questão dos Desastres Naturais, através do aprendizado da tecnologia, como estratégia de programação, pois são muitas habilidades desenvolvidas no processo. Nós fizemos, no início do ano, a formação com os professores das 5ªs e, quando íamos iniciar com os alunos, chegou a pandemia. Oferecer educação de qualidade é acreditar no potencial humano de todos, com equidade, além de ter a certeza interna de que o céu não é o limite para a educação. Levando-se em conta que, em média, o aluno do fundamental custa cerca de 300 reais/mês, a distância do valor e das condições das escolas particulares em geral são grandes!

WASH:  O Programa WASH foi implantado em fevereiro na rede municipal no município. Como vocês conheceram o Programa e como foi o processo de implantação, sobretudo, em relação à adesão da comunidade escolar – professores, alunos e comunidade?

Maria Thereza: Tecnologia tem permeado todas nossas ações, em metodologias ativas nos programas e nas aulas. Sendo assim, fomos procurados pelo Instituto Federal e, imediatamente, aceitamos e construímos uma forma inovadora de implantar.

Acredito em parcerias. Sempre realizei muito, com muitos parceiros, em tudo que atuei na educação. Fizemos um piloto numa de nossas unidades e percebemos que seria possível. Começamos, assim, a formação de todos os professores das 5ªs séries. Os alunos, empolgadíssimos, esperando a proposta.

WASH:  Qual a importância de ter um Programa como o WASH na rede municipal, em Jacareí, e quais são seus impactos? Mesmo sendo recente, o Programa tem somente meses de implantação. É possível fazer alguma avaliação preliminar?

Maria Thereza: Estamos ainda no início, visto que a pandemia impediu de o programa chegar às escolas, porém tivemos frutos, pois ele já está acontecendo na EMEF Aristeu Turci, no bairro Igarapés, na periferia de Jacareí, com a Profa. Danieli.

WASH: Com a pandemia, como foi possível enfrentar os desafios de levar o WASH, de forma remota, para os alunos da rede municipal?

Maria Thereza: As professoras da EMEF Aristeu Turci começaram a programar e a criar a ideia de jogos com relação à COVID -19 e acionaram os parceiros, que se propuseram a ajudar na elaboração do jogo. E o primeiro jogo foi o famoso “GAMESTEU”, com o propósito de prevenção contra a COVID – 19!

WASH:  Em Jacareí, os professores também tiveram uma importante formação com a equipe do Programa WASH, para entender e apoiar a proposta. Quantos professores participaram desse processo de formação, outros profissionais também participaram?

Maria Thereza: Todos os nossos professores de 5ªs séries (93) e profissionais da equipe de formação em tecnologia e áreas do conhecimento (7), coordenados para Supervisora de Tecnologias, Profa. Ana Paula Paiva. A proposta foi para 2.614 alunos da rede municipal de Jacareí.

WASH: Também aconteceram oficinas testes com os alunos do 5º ano, no início da implantação. A Sra. poderia falar sobre a importância desse momento?

Maria Thereza: A oficina foi espetacular. Os alunos integraram fortemente a proposta, ávidos em exercitarem sua criatividade e herança digital. Nasceram nesta, tão famosa, era digital.

WASH: Neste momento, alunos continuam participando de oficinas remotas do Programa WASH, às segundas e quartas, como é o caso dos alunos do 5º ano da Aristeu, e, o mais importante, produzindo atividades/jogos. A Sra. tem acompanhado essa etapa?

Maria Thereza: Organizamos a continuidade da proposta na EMEF Aristeu Turci. Higienizamos e colocamos em quarentena os netbooks; posteriormente, foram entregues para os alunos das 5ªs séries. As professoras continuam trabalhando com os alunos na programação e o Prof. Victor Mammana, do Cemaden e coordenador do WASH; e a coordenação do Instituto Federal, juntamente com os alunos bolsistas do Programa, têm realizado as oficinas com os alunos e professores, de forma virtual. Assisti a uma e fiquei encantada. São muitos aprendizados em valores humanos e tecnologia, o que demonstra claramente a educação integral do educando.

WASH: Como a Sra. vê a participação dos bolsistas do Instituto Federal com as crianças nas atividades? 

Maria Thereza: A participação é incrível! Uma motivação e esperança, que farão história na vida de todos nós! Um modelo bem interessante, em tempos de pandemia, quando os alunos do fundamental fazem a demanda, os alunos do Ensino Médio acham a solução, e criam uma oficina para explicarem o que fizeram, estimulando os menores a fazerem também.

WASH:  A Escola Aristeu teve um trabalho que ganhou até mesmo espaço na imprensa, com o jogo Gamesteu. Essa experiência pode incentivar outras escolas na adesão ao Programa WASH?

Maria Thereza: O desafio em tecnologia, neste período de pandemia, ampliou significativamente o engajamento de todos os professores em relação à tecnologia. Sabemos que isto varia muito. Neste sentido, as duas professoras do Aristeu iniciaram a proposta pelo ensino remoto.  Na sequência, iremos para outra escola e, assim por diante, objetivando a demanda dos professores que se sentem mais seguros no processo. Com certeza, a iniciativa da escola Aristeu já despertou o interesse de outros professores.

WASH:  A Rede Municipal tem investido na entrega de Netbooks aos alunos. Instrumentalizar as crianças para que elas possam ter atividades em casa é uma iniciativa importante nestes tempos de pandemia. Quantos alunos estão sendo beneficiados e já contam com o equipamento?

Maria Thereza: Em pesquisa realizada, 98% dos alunos têm acesso, no mínimo, pelo celular. Os 40 netbooks têm sido utilizados para serem encaminhados para as escolas, especificamente, para o Programa WASH. Os nossos laboratórios móveis são para 2021.

Redação: Denise V. Pereira

Revisão Nádia Abilel de Melo

Fotos: Arquivo Pessoal: Maria Thereza Ferreira Cyrino

Maria Thereza: uma vida dedicada à docência e à gestão escolar
Dados da Educação em Jacareí – Fonte: Secretaria Municipal de Educação

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