Além das oficinas de letramento digital, o Programa WASH disponibilizou bolsas de Iniciação Científica para os estudantes

Em outubro de 2020, o Programa WASH passou a integrar as atividades da comunidade escolar do Vitor Meireles, em Campinas, com oficinas remotas de letramento digital e, também, incentivo à iniciação científica, com disponibilização de bolsas para os estudantes do colégio, que tem mais de 60 anos de existência no município. A escola oferece ensino integral e já tem um histórico de incentivo à ciência, com participação de seus alunos em feiras e mostras de ciência, em âmbitos local, estadual e até nacional.
Para contar a experiência da Escola e o seu histórico de vivência e incentivo à ciência, o WASH convidou Eveliyn Tiemi Takamori, que é graduada em Licenciatura Plena em Matemática pelo IME-USP, professora efetiva em Matemática pela rede pública do estado de São Paulo, desde 2004; e que, atualmente, leciona em período integral na escola E.E. Vitor Meireles, no bairro São Bernardo, em Campinas, onde atua com orientação em projetos de Pré-Iniciação Científica, sendo Representante Regional da ABRIC (Associação Brasileira de Incentivo a Ciência), parte integrante do Talentos em Didática-2019 (Fundação Lemann) e Orientadora da Pré-Iniciação Científica vinculada ao CNPq (2020).

Eveliyn tem uma importante atuação com projetos de pesquisa. Foi responsável pela coordenação de projetos, que obtiveram financiamento do Instituto Arcor Brasil e pela CENP-SEE, “Aprendendo Dobraduras, Fazendo Amigos” (2006-2008) e “VenSer em Matemática” (2007-2009) para o desenvolvimento do ensino de Matemática, na escola E.E. Deputado Jamil Gadia. Ainda, respondeu pela coordenação dos projetos “Aprender é o Negócio” (2010-2011) e “Matematicando” (2010-2011). Concluiu o curso de especialização em Educação Matemática-REDEFOR, em 2011, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De maio de 2011 a dezembro de 2013, foi supervisora do programa PIBID, na escola E.E. Deputado Jamil Gadia. Coordenou os projetos “Dicionário de Matemática”, financiado pela PRODESC-SP e “Matemática e cozinha”, financiado pelo FDE/MEC, em 2011.
A professora traz, nesta entrevista, esse histórico e muitas outras histórias do passado e a que começa a ser construída agora, no presente, em parceria com o Programa WASH.
WASH: A Sra. poderia dar um cenário da realidade da sua escola: localização, número de alunos, desafios e características ou outros diferenciais?
Os primeiros tempos: a história da E.E. Vitor Meireles se inicia numa época em que o bairro São Bernardo tinha como Pároco o Pe. Glauco Nogueira do Prado, que, numa visão larga, encabeçou inúmeras campanhas para melhoria da comunidade.
Em 1º de outubro de 1957, pelo decreto nº 4.205, foi criado, no bairro, o Ginásio Estadual. Em 3 de março de 1958, sob a direção da Professora Zélia Lessa, nascia no bairro do São Bernardo, com 10 professoras e apenas no período noturno, o Colégio Estadual de São Bernardo, com atendimento ao curso ginasial. Em 30/08/1958, teve sua alteração para Colégio e, em 15/03/1963, passou a se chamar Colégio Estadual “Vitor Meireles”. Já, em outubro do mesmo ano, contava com 1056 alunos.
Em 1980, ocorreu a alteração para Escola Estadual Vitor Meireles e a alteração de atendimento de Colégio para 2º grau. Em 1997, nova alteração de atendimento para Ensino Médio.
Em 2014, a E.E. Vitor Meireles passou a integrar o Programa de Ensino Integral e, nesse ano, contou com doze salas, cinco classes de primeiras séries, quatro salas de segundas séries e três salas de terceiras séries. É uma escola situada nas proximidades de um dos principais corredores de ônibus da cidade (Avenida Amoreiras, que possui corredor de uso exclusivo de ônibus, que ocupa aproximadamente 4 km da via, começando na Av. João Jorge e terminando na Av. Tancredo Neves. Atravessa vários bairros, ligando o centro às distantes periferias, nas proximidades do Aeroporto de Viracopos). Atende alunos que são provenientes, na sua maioria, de vários bairros da cidade, principalmente das regiões Sul e Sudoeste, de áreas como a região do Ouro Verde e Campo Grande
Esse distanciamento da comunidade escolar, em relação à localização da escola, tem interferido diretamente na participação dos pais na vida escolar dos alunos, pois muitas ações foram desenvolvidas pela equipe gestora, na busca de aproximação entre a comunidade e a escola, mas os resultados almejados ainda estão muito longe da meta desejada.
Conforme demonstrativo, abaixo, conseguimos, no ano de 2020, atingir a meta do IDESP/2020. Outros indicadores importantes como os resultados obtidos no SARESP/2020, sua análise demonstra que está ocorrendo uma evolução na aprendizagem dos alunos, uma vez que os percentuais nos níveis mais baixos de proficiência estão diminuindo em Língua Portuguesa e Matemática, com a migração dos alunos do Abaixo do básico em direção ao Adequado e Avançado, para o ano em curso.
WASH: A Escola Vitor Meireles tem alguma experiência em projetos de iniciação científica como feiras de ciências, clube de iniciação científica na escola ou em participações externas ou atividades relacionadas ao letramento digital, incentivo à programação? Resuma esse trabalho de incentivo à ciência.
O Programa de Ensino Integral prevê que em sua estrutura haja a criação de Clubes Juvenis; e, deste modo, em 2017, houve a criação do Clube Juvenil da Pré-Iniciação Científica (PIC), responsável pela extensão ao desenvolvimento de projetos de pré-iniciação científica, nas áreas do conhecimento. Ainda, neste mesmo ano, eu assumi a orientação de iniciação científica, juntamente com o professor André, recebendo orientações do curso sobre Metodologia Científica, pela 3M. No mesmo ano, obtivemos a aprovação para participação na MOP/2017 (Mostra de Ciências e Engenharia do Estado de SP), desenvolvendo o projeto de um cajado, com tecnologia assistiva, para a caminhada de idosos, em trilhas ecológicas. Participamos, ainda, no mesmo ano, da Mostra de Ciências da 3M, com outro projeto de uma bengala, que previa obstáculos para pessoas cegas. A escola, desde então, vem apoiando professores e alunos no desenvolvimento de projetos e participação em feiras e mostras científicas. A cada ano, espera-se que os alunos possam vivenciar a participação nas feiras e mostras como um fortalecimento de seus respectivos projetos de vida. Exemplo disso:
- 2018: 5 projetos participando da Mostra de Ciências da 3M, 2 projetos participando da FeeCesp (Feiras Científica das Escolas do Estado de SP), 1 projeto participando da Febrace;
- 2019: 4 projetos participando da Mostra de Ciências da 3M, 2 projetos participando da FeeCesp (Feiras Científica das Escolas do Estado de SP), 3 projetos participando da Mostra de Ciências do IFSP;
- 2020: 2 projetos participando da Mostra de Ciências da 3M, 1 projeto participando da Febrace, 1 projeto participando da FBJC (Feira Brasilieira de Jovens Cientistas), 2 projetos participando do Programa 30 dias de Ciências-ABRIC, além de apoiar os professores-orientadores (atualmente, a escola possui sete orientadores) em sua formação continuada, para fortalecer as suas respectivas orientações.
WASH: Como será o calendário das atividades? Oficinas e participação dos estudantes e séries?
O calendário das atividades foi sendo adequado para este período em que os estudantes participam das aulas de forma virtual; deste modo, o engajamento se dará por meio das plataformas digitais, que se espera um alcance efetivo das atividades que teremos como parceiras das oficinas, as aulas de Tecnologia, que são integrantes da parte diversificada do currículo de uma escola do Programa de Ensino Integral.
WASH: Como a Sra. vê o impacto deste tipo de programa (envolvendo STEAM – ciência, tecnologia, engenharia, artes e educação) nas escolas públicas e qual a expectativa para a Escola Vitor Meireles?
Espera-se que a educação para o século XXI torne o conhecimento mais amplo e, agora, ancorado pelo documento maior, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê que a educação forme alunos autônomos, capazes de construir alternativas para os desafios da contemporaneidade; e é, neste sentido, que a educação precisa ser mais integral, capaz de entender a realidade do aluno, contextualizando-a por meio das ferramentas STEAM ou STREAM, que, também, aliam a leitura à ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática, capazes de provocar o ponto de vista dos alunos, gerando conhecimento e consciência. A escola prevê, além do que já foi dito, também o fortalecimento dos projetos de vida dos alunos, já que muitos ainda estão na fase da descoberta do que querem para o futuro; e, deste modo, as atividades que explorem as áreas do conhecimento agregam mais valor ao programa.
WASH: Na sua escola, alunos do Ensino Médio atuarão com os colegas de mesmo nível nas atividades/oficinas. Isso facilita a comunicação e envolvimento dos estudantes para o aprendizado?
O perfil do aluno a ser desenvolvido nas atividades escolares é o de um aluno autônomo, solidário e protagonista. Essas características são valorizadas nas práticas docentes, pois são parte integrante das premissas do Programa do Ensino Integral. Desta forma, as ações que privilegiam este perfil são somadas; assim, o protagonismo deve ser exercido pelos bolsistas e, também, replicado aos demais estudantes; assim, como o ser solidário com o colega que aprenderá. Além disso, os quatro Pilares da Educação serão privilegiados: também, no aprender a fazer, a ser, a conhecer e a conviver entre os alunos, durante a execução das oficinas, bem como o engajamento.
WASH: Com a pandemia, como foi possível enfrentar os desafios de levar o WASH de forma remota para os alunos da sua escola?
A pandemia trouxe desafios para a educação de modo geral e, especificamente, para os alunos da escola encontrar uma forma de se conectar mesmo virtualmente. Os professores já possuíam plataformas digitais para a disponibilização do material (conteúdo) das aulas, porém a conexão virtual teve de ser revisitada; isto é, a conexão entre professores e alunos foi fortalecida, por meio das ações de tutoria, o que promoveu as ações iniciais do WASH. Isto é, conversar, explicar do que se tratava o Programa WASH. E o mais importante é que nós, orientadores, e o grupo do WASH, estaríamos do lado dos alunos para ajudá-los.
WASH: Qual o número de professores envolvidos com a Metodologia WASH, eles são de diversas disciplinas? Se puder citar todos, seria interessante. E quantos alunos serão beneficiados com as oficinas e quais séries serão contempladas?
- Número de professores que estarão envolvidos indiretamente, pois as atividades/oficinas estarão influenciando os alunos: 26 professores;
- Número de professores que estarão envolvidos diretamente: três professores (Eveliyn Matemática/Física; André: Arte; Marisol: Biologia/Tecnologia);
- Alunos beneficiados: 200 alunos das primeiras séries A, B, C, D e E.
WASH: Como a Sra. vê ou avalia a importância das bolsas de Iniciação Científica para os estudantes da sua escola (impacto para o aprendizado do método científico e, também, o incentivo financeiro), já que 8 bolsistas foram beneficiados?
As bolsas de iniciação científica são um meio de incentivo ao aprendizado e desenvolvimento científico aos alunos. Os oito bolsistas beneficiados serão incentivados a continuar com os estudos e, mais ainda, continuar a buscar os respectivos projetos de vida.
WASH: Conte sobre a escolha/seleção dos bolsistas e por quanto tempo atuarão?
A escolha se deu por meio da seleção entre os 26 professores da escola, onde o perfil escolhido foi baseado em projeto de vida, afinidade, responsabilidade e comprometimento. Além disso, os professores optaram em dividir as vagas proporcionalmente, onde o maior número deveria estar entre os alunos das primeiras séries, pois poderiam desenvolver os projetos com maior tempo na escola.
Entrevista à Denise Pereira
Revisão: Nadia Abilel de Melo
Foto: Arquivo pessoal Eveliyn Tiemi Takamori
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