Foi uma conversa pra lá de estelar, com muitos esclarecimentos. Na pauta: cometas, asteroides, meteoritos, meteoros, objetos do céu e seus caçadores, com quem entende muito sobre o tema. O  Projeto Ciência e Cultura, vamos brincar? na programação da quarta-feira passada, dia 2 de setembro,  recebeu o astrônomo e divulgador científico, Júlio Lobo, responsável pelo Observatório Municipal de Campinas, primeiro observatório público do país. Ele foi entrevistado por Wil Namen, cofundador do Movimento Nós Somos a Ciência.

Durante o bate-papo, uma das informações que mais chamaram a atenção foi a de que em todo o planeta, em apenas uma noite, podem cair entre 10 a 100 toneladas de objetos do céu/do espaço.

Segundo o astrônomo, 98% viram poeira e ficam suspensas na alta atmosfera; o restante cai nos oceanos; e só 0,5% cai no continente, como o que aconteceu recentemente, em agosto no Sertão Nordestino.

Ele explicou que se o meteoro cai no chão,  a gente chama de meteorito e que essas pedras/rochas são muito importantes, porque podem contar as nossas origens e como nasceu todo o sistema solar. “Esses objetos costumam dar muito subsídios para a astronomia!”, acrescenta.

Caçadores de estrelas

Indagado por Namen se existe a profissão denominada “caçadores de meteoritos”, já que ouvimos, normalmente, que existem caçadores de tornados, furacões e tempestades, Lobo afirmou que existem os caçadores de estrelas. “São pessoas que saem para o campo, procurando lugares escuros para fotografar o céu. O mesmo acontece com meteoros.”

O astrônomo afirmou que, no Brasil,  conhece poucas pessoas que fazem isso. Ele citou dois grupos que atuam caçando meteoros. “São aqueles vinculados à Bramon e ao grupo EXOSS, formados por pesquisadores do Observatório Nacional e outros observatórios”.

Já nos EUA, os caçadores de meteoritos são um ramo da astronomia, explicou. Acrescentou que existem especialistas em cometas, meteoritos, asteroides, filas duplas, buracos negros etc. “Assim como a medicina tem suas especialidades, a astronomia também tem”. No Japão,  ele afirmou que a caça aos meteoritos é bastante comum também.

De acordo o astrônomo, as entidades incentivam às escolas a terem suas câmeras de observação, semelhantes às de segurança, para que os alunos possam acompanhar imagens do céu e até enxergar os meteoros mais brilhantes. Ele lembra, portanto, que são necessários programas, que devem ser instalados para essa observação.

Para o cidadão comum, uma dificuldade para observação, alerta o astrônomo, é a poluição luminosa nas grandes cidades. “Hoje as luzes da cidade atrapalham. É preciso andar 100, 200 km para poder observar alguma coisa no céu”.

Muitas curiosidades da astronomia

O físico Wil Namen, também, trouxe para a conversa aquelas questões que toda criança gostaria de fazer. “Afinal, do que são feitos os meteoros?, aquele risco no céu é um meteoro, a gente consegue coletar?”, entre outras.

E, como numa aula, onde a simplicidade garante todo o entendimento, o astrônomo explicou.  “Temos asteroides e cometas. Um comenta quando vem se aproximando do céu, costuma deixar um rastro de poeira. Parece um pão que a gente vai derramando o farelo pelo chão e deixando um rastro de sujeira. O cometa é assim, vai deixando um rastro”.

Segundo Júlio Lobo, a terra atrai os objetos do espaço e nós damos a isso o nome de meteoroides. “Eles entram em nossa atmosfera, numa velocidade incrível e aquecem. Esse rastro luminoso, nós chamamos de meteoros”.

O astrônomo lembrou ainda que, no passado, nossos avós  chamavam  os meteoros de estrelas cadentes. “Mas, hoje, sabemos que as estrelas não caem”, explica.

Ele contou que tem uma coleção pessoal de meteoritos, mas que se encontra no Observatório Municipal, o que o impediu naquele momento de mostrar. “Tenho um que caiu na Rússia e que fez um estrago, não fez mal a ninguém, mas ele tinha cerca de 10 metros de diâmetro”. Neste caso, ele explica, um pequeno asteroide.

Lembrou, também,  a existência de um exemplar de meteorito que sobreviveu até mesmo ao  incêndio de grandes proporções que destruiu o  Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

O astrônomo apresentou imagens de um meteoro que caiu em Campinas, cujo registro foi  feito pelo Observatório, onde ele atua há mais de 40 anos (desde 2017, quando tinha apenas 17 anos). Ele ressaltou “foi um meteoro extremamente brilhante que passou por aqui”.

Explicou, ainda, que “se  uma pedra do tamanho de uma laranja entra na nossa atmosfera, ela vai brilhar igual a um ‘planetinha’, que muitos conhecem como Estrela Dalva. Mas ela vai se desgastando e quando chega à terra, ela estará do tamanho de uma ervilha”.

Júlio ainda falou sobre o sistema solar e rememorou  o rebaixamento de Plutão, comparando-o com um time, num campeonato de futebol, que cai para a segundona (segunda divisão). “Hoje, o Sistema Solar conta com oito planetas clássicos: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.”

Observatório Municipal ainda está fechado

Em razão da pandemia, o astrônomo esclareceu que o Observatório Municipal de Campinas continua fechado. Portanto, os interessados deverão aguardar a reabertura para uma visitação.

Ele argumentou que nas observações, os profissionais e público precisam colocar o olho na lente ocular, portanto, existe risco de contágio do Coronavírus.

Para os interessados, o Observatório abre ao público, aos domingos, das 17 às 21h.

O astrônomo deixou um incentivo pra quem ainda não conhece: “quase todo mundo que vai lá, às vezes, consegue ver um meteoro”.

Interesse precoce

Júlio Lobo contou que seu interesse pela astronomia começou cedo, quando ele era criança. “Tinha por volta de nove anos, entre os anos 69 e 70. “Naquela época, eu vi algo monstruoso no céu colorido, e perguntei ao meu pai o que era aquilo? Como ele era engenheiro, respondeu que era um meteoro. Foi neste momento, que comecei a me interessar pelo tema; e a partir daí o interesse só aumentou”, completou.

Para inspirar as crianças

Júlio Lobo testemunhou, ainda, uma história real para incentivar as crianças a mergulhar neste mundo da astronomia.

“Há, mais ou menos, 20 anos, nós estávamos atendendo a uma escola; e  uma menina ficou alucinada com tudo que via. Ela viu Saturno e ela disse que queria estudar isso. Eu disse pra ela que do jeito que ela se mostrava animada, um dia ela voltaria lá pra me contar que estaria  trabalhando na Nasa. Ela foi embora, na época, tinha 12 anos”. Passados cerca de 17 anos, a profecia do astrônomo se concretizou. “Há uns cinco anos atrás, eu estava atendendo ao público e chega uma moça e começa a chorar. Ela disse que fez seu doutorado e fazia um mês que tinha sido contratada pela Nasa. Era a aquela menina. O que o astrônomo disse, aconteceu!”.

Saiba mais!

Observatório Municipal de Campinas “Jean Nicolini”:  localizado no distrito de Joaquim Egídio, em Campinas, na Estrada do Capricórnio, na Serra das Cabras. Informações pelo telefone: 3298-6566.

Bramon – Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros. Saiba mais no link! http://www.bramonmeteor.org/bramon/sobre-a-bramon/

Exoss – organização voltada para os estudos de meteoros e suas origens, que une profissionais e amadores. http://press.exoss.org/mapas/redes-de-monitoramento-de-meteoros/

Texto: Denise Pereira

Revisão: Nádia Abilel de Melo

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