Eberval Oliveira Castro, 40, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP, engenheiro eletricista (UFMA), mestre em engenharia elétrica (Unicamp), foi professor temporário na Universidade Federal do Maranhão (2002-2003), atua em gestão na área de Educação desde 2008,  e trabalhou na implantação do IFSP na cidade de Campinas, onde atualmente ocupa o cargo de diretor-geral.

Castro acompanhou o nascimento do Programa WASH e, nesta entrevista, conta para nossos leitores como vivenciou esse momento. Ele destaca que “as iniciativas WASH, pela história já construída e pelo seu natural potencial, já podem ser compreendidas como ambientes efetivos de divulgação e disseminação cultural da ciência em companhia da arte humana, bem como da arte em companhia da ciência e da tecnologia”.

O diretor-geral do IF Campinas fala ainda sobre resultados da parceria IF-WASH, conquistas, e sobre a importância do atendimento voltado às crianças moradoras de regiões carentes no entorno do CTI Renato Archer como os bairros da região dos Amarais.

WASH: O Programa WASH surge, concomitante, a sua gestão no IF Campinas, e foi essa primeira experiência que permitiu que o Programa hoje alcançasse todo país. Como foi participar dessa iniciativa na sua origem? Dentre os muitos resultados decorrentes da parceria, que somam pesquisas e projetos conjuntos, inclusive com depósito de patente, eventos educacionais e científicos, além da formação de recursos humanos em ambiente de alta tecnologia, o WASH! trouxe um olhar especial para a popularização da ciência, com foco na juventude.

Castro:  O Programa WASH foi uma das grandes realizações da frutífera relação interinstitucional do IFSP com o CTI Renato Archer. Nasceu durante as gestões do Dr. Victor Mammana, então diretor do CTI Renato Archer, e do professor Daniel Sposito, à época diretor-geral do IFSP Campinas. Esse sensível olhar lançado sobre a necessidade de despertar o interesse pela ciência e de promover o espírito científico na infância e na juventude está intimamente ligado à missão dos Institutos Federais, que nasceram com a proposta de trazer uma Educação emancipadora, articulada com o Mundo do Trabalho, numa operação indissociável entre Ensino, Pesquisa e Extensão. Logo, o WASH representa uma ação que integra tudo isso, e cujos resultados demonstram impacto substancial na comunidade atingida pelo Programa. As iniciativas WASH, pela história já construída e pelo seu natural potencial, já podem ser compreendidas como ambientes efetivos de divulgação e disseminação cultural da ciência em companhia da arte humana, bem como da arte em companhia da ciência e da tecnologia, e, na prática, o WASH é uma ponte direta entre o ensino básico, o superior, os institutos de pesquisa e a Sociedade. Algumas das fontes de referência acerca da história e do potencial das iniciativas WASH: bit.ly/apresentacao-wash, bit.ly/manifesto-wash, Plataforma de Gestão WASH: youtube.com/watch?v=8qaZa9tR1NY, bit.ly/manual-wash

WASH: Quais foram os principais desafios, naquele momento, para que o IF apoiasse o WASH?

Castro: O IFSP Campinas nasceu em 2013, mais de um século após o nascimento de sua primeira unidade em São Paulo – Capital, em 1909. O IFSP Campinas só pôde ser implantado em 2013 na cidade, graças ao convênio interministerial autorizado pelo MEC e pelo MCTI, reunindo duas importantes instituições, o IFSP e o CTI, respectivamente, numa parceria que explora a interseção de suas missões, através da produção e disseminação do conhecimento científico. Em 2013, o IFSP já tinha autorização de funcionamento da unidade de Campinas fazia três anos, um imóvel localizado na região do Campo Grande, com um projeto de edificação, cuja execução havia sido frustrada e um concurso prestes a se perder. A parceria com o CTI Renato Archer permitiu realizar o resgate dessas sementes que já estavam sendo plantadas, bem como iniciar um novo projeto Educacional na região dos Amarais, em Campinas. No início, tínhamos equipe muito reduzida e enormes desafios pela frente, especialmente para estabelecer a instituição na cidade de Campinas.

WASH: Como foi mobilizar funcionários para serem voluntários?

Castro:  As articulações iniciais  deram-se diretamente entre servidores do IFSP com a administração do CTI Renato Archer, valendo-se das vantagens da proximidade física das duas instituições. À época, um docente do IFSP foi convidado pelo coordenador do Programa para participar das ações e, em seguida, outros servidores foram aderindo.

WASH: E quanto à adesão do corpo docente do IF ao Programa? Qual a contribuição do WASH para a docência do IF, sobretudo, em relação à Iniciação Científica?

Castro: Os docentes, inicialmente convidados e os que aderiram posteriormente à proposta do WASH, puderam dispor de espaço físico específico, cedido pelo CTI Renato Archer, para implantação de um laboratório maker, que permitiu o desenvolvimento de dezenas de projetos com bolsas do CNPq. Estes projetos, oriundos do arranjo inicial, produziram, inclusive, diversos grupos vitoriosos em competições, feiras e eventos acadêmico-científicos, incluindo Febrace, Desafio 3M, Fenadante, entre outros.

WASH: Como foi a receptividade dos alunos do IF, que já gozavam de um aprendizado de qualidade, ter acesso a um programa como o WASH?

Castro: O principal público do WASH eram alunos das escolas públicas nos entornos do campus, no caso, bairros como São Marcos, Santa Mônica, San Martin, Jardim Campineiro, dentre outros; bairros carentes da cidade de Campinas, na região dos Amarais. Dentro do Programa, os alunos passaram a receber treinamentos rápidos e a ter contato com tecnologias de aplicação rápida, prototipação e produção de materiais de divulgação, desenvolvendo projetos com metodologia de foco experimental, com vistas a despertar o espírito investigativo e apresentar os fundamentos da metodologia científica.

WASH: Como o IF foi a ponte entre o Programa e as crianças atendidas da região, o WASH contribuiu também para tornar a instituição – o IF – mais próxima da comunidade?

Castro: Sem dúvida, toda ação de extensão promove aproximação entre as instituições e a comunidade, sobretudo, a abertura dos espaços públicos em benefício da população, democratizando o acesso. A parceria permitiu o atendimento a crianças moradoras das regiões carentes nos entornos do CTI Renato Archer, especialmente Jd. São Marcos, Jd. Santa Mônica, Vila Olímpia, entre outros bairros da região dos Amarais.

WASH: Qual foi o impacto das bolsas do WASH, no IF, pois o valor destinado era maior que a assistência estudantil? E os impactos na gestão compartilhada do CTI?

Castro: A Assistência Estudantil é uma ação que visa promover permanência e êxito, através do auxílio a estudantes em situação de vulnerabilidade, segundo indicadores técnicos. O programa de Assistência Estudantil contempla diversos auxílios, que vão desde alimentação, até transporte e moradia. Há também ações universais, com foco na assistência corpo de estudantes como um todo, mas sempre com foco no bem-estar, em garantias de condições dignas e combate às desigualdades sociais, que resultam em permanência e êxito. As bolsas oriundas do WASH estão mais correlacionadas com as atividades de Extensão do Campus, podendo ainda ter ações específicas de pesquisa, através de projetos de Iniciação Científica. Esse tipo de ação, em geral, provoca impacto na motivação dos estudantes e pode promover o sucesso da atividade escolar.

WASH: De 2013 a 2017, o WASH manteve suas raízes fincadas no IF Campinas. Muitos projetos de pesquisa da Iniciação Científica daquela época alcançaram grande sucesso. Na sua opinião, por que essa parceria, que foi tão bem-sucedida, não é retomada?

Castro: O IFSP Campinas já manifestou formalmente adesão à metodologia WASH, através da publicação de portaria específica, e aguarda liberação de recursos da equipe de coordenação para realização de ação específica, que permita selecionar projetos e bolsistas para o Programa.

Nota do Programa: A Coordenação do WASH já buscou e conta com recursos para a retomada da parceria com o IF Campinas e depende apenas de entendimentos para que as atividades sejam reiniciadas.

Texto: Denise V. Pereira
Revisão: Nádia Abilel de Melo
Fotos: Arquivo pessoal – Prof. Eberval Castro

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