Isabele Ramos Bergamo, 18, no 3º ano do Ensino Médio, declara facilmente que o que gosta mesmo é de estudar Química e Biologia. A estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná, Campus Londrina, foi orientada pelo professor Fernando Accorsi, em 2019, para desenvolver seu projeto na Iniciação Científica, dentro do Programa WASH, e a área escolhida para o trabalho não poderia ser outra: Ciências, mas com um toque especial, aliada à Informática, ao pensamento computacional.
Intitulada “Jogos Digitais aplicados à área de Ciências da Natureza da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental”, a pesquisa de Isabele trabalhou o ensino de conceitos dessa área, usando a ferramenta Scratch.
Por meio de três jogos, foram repassados, aos estudantes do Ensino Fundamental, conhecimentos da Vida e Evolução para o 3º ano; temas sobre reciclagem para o 5º ano e observação do céu, também para o 3º ano.
Ela conta que, com o Jogo do Caranguejo, foram abordados temas como vivem, alimentam reproduzem e deslocam animais mais comuns no ambiente próximo. O jogo retratava a sobrevivência de um caranguejo que deve encontrar o mar. Na atividade, o estudante deve ajudar o caranguejo a ultrapassar os obstáculos impostos pela presença da urbanização até ele conseguir retornar a seu habitat.
Já, com o “Jogo da Reciclagem”, as crianças, a partir do conhecimento sobre o descarte correto do lixo, tinham que associar os tipos de materiais para destiná-los às lixeiras corretas, de acordo com as cores; e, por fim, com o “Jogo do Asteroide”, foi trabalhado o eixo temático Terra e Universo. Neste jogo, a criança atuava para proteger o seu planeta de asteroides, regulando o ângulo de uma arma a laser.
Ela conta que, no início, a tarefa de aliar a ciência com o pensamento computacional não foi fácil, até que adotaram os jogos como ferramenta. “Eu sempre tive interesse em informática, desde criança, mas nunca tive oportunidade de estudar ou ter contato com a área por conta da falta de estrutura do meu antigo colégio.” Ela diz que percebeu que “juntar as duas coisas facilitou o aprendizado de ambas”.
A bolsista defende que “aprender Ciências a partir de jogos é melhor do que somente sentado em uma sala de aula; por ser mais divertido, há maior interesse dos estudantes”.
Como bolsista, ela participou do desenvolvimento dos jogos, que é uma ferramenta que ajudaria muito as escolas a ensinarem, defende; mas ela não acredita que a adoção dessa ferramenta seja tão simples. “A maioria das escolas municipais ainda não possui os recursos necessários para que aulas como essas sejam aplicadas”.
Antes de dar início a seu projeto, Isabele foi voluntária no Programa WASH por seis meses; e, neste período, ela construiu todo vínculo com as crianças que participaram das oficinas, onde os conceitos de Ciências, a partir dos jogos, foram trabalhados na Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, em Londrina. “Foi muito prazeroso tentar ajudar as crianças a descobrirem uma nova forma de aprendizado”, conta.
Por outro lado, ela comenta: “os alunos demonstraram muito interesse desde o primeiro dia que a equipe pisou na escola e eles sempre foram muito queridos, obedientes e interessados; eles realmente aceitaram muito bem a nossa dinâmica e, além de tudo, também nos ensinaram muita coisa”.
A pesquisa foi muito facilitada pela mediação do orientador, professor Fernando Accorsi, que Isabele define como “alguém que sempre estava pronto a ajudar em suas dúvidas, pela grande experiência tecnológica e educacional”.
Quanto ao futuro, ela pretende dar prosseguimento a uma carreira acadêmica; porém, voltada à área da saúde. “Mesmo eu gostando de ensinar crianças, eu amo a ideia de ajudar pessoas em larga escala”.
Para a bolsista, a participação na iniciação científica teve importante impacto para ela. “Foi bom fazer parte de algo assim, principalmente, porque pode ser trabalhado para que mais crianças tenham acesso à ferramenta e melhorem suas formas de aprendizagem.”
Em relação à divulgação da pesquisa, ela conta que pretende divulgá-la ainda mais, para que mais escolas possam realizar o projeto, beneficiando ainda mais crianças.
O Programa WASH quer contribuir, começando com essa divulgação.
Texto: Denise V. Pereira
Revisão: Nádia Abilel de Melo
Fotos: Arquivo pessoal – Isabele Ramos Bergamo