
Se há uma área que o WASH se orgulha é a da Iniciação Científica, seus resultados e produções. E se numa ponta há o aluno; na outra, o papel do orientador é inquestionável. Os orientadores são os zeladores, influenciadores, mediadores e apoiadores dos bolsistas em suas descobertas e no desenvolvimento de suas pesquisas.
Em 2019, o professor Fernando Accorsi, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná, Campus Londrina, foi um dos mais importantes destaques do WASH na orientação. Ele acompanhou cinco projetos de pesquisas do Programa, que tiveram resultados impecáveis. Muito em breve, todos serão divulgados neste site.
Pela excelência do seu trabalho e vivência cotidiana na orientação, ele é nosso convidado para falar sobre a sua atuação com os alunos, os desafios das orientações, as vivências nas oficinas com o Ensino Fundamental, sobre a relação costurada pelo WASH entre a Rede Federal e as escolas públicas e sobre a importância da Iniciação Científica, que ele define como “valiosa para despertar vocações para áreas que motivaram o Movimento STEM”.
De acordo com Accorsi, “a formação de profissionais nessas áreas é uma preocupação mundial e é vista como elemento estratégico para desenvolvimento social e econômico de um país.”
O professor afirma, ainda, que “não temos hoje no Brasil um conjunto de ações coordenadas para atingir o mesmo propósito. Temos iniciativas como o Programa WASH, que tem sido uma voz no meio deste silêncio. Uma voz que diz que é possível fazer diferente.”
Fernando Accorsi é graduado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Fotografia, pela mesma instituição, e mestre em Ciência da Computação pela UFRGS. Iniciou sua carreira profissional como sócio-fundador da empresa Astacus Computação Científica, participante do Programa SOFTEX2000, voltado para exportação de software.
Depois desta experiência, voltou-se à carreira acadêmica, atuando como docente em cursos de graduação e pós-graduação, na área de Computação, em instituições de ensino privadas e públicas. Desde 2012, é docente exclusivo do IFPR-Campus Londrina, com atividades nos cursos de ensino superior e médio. Nessa instituição, foi coordenador do Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão. Nos últimos anos, tem se dedicado às atividades de pesquisa, extensão e orientação, na área de Interação Humano-Computador e Pensamento Computacional.
Orgulhosamente, damos voz à orientação no WASH.
Qual foi a sua principal motivação em se tornar um orientador de projetos de pesquisa dentro do Programa WASH? Como o Sr. conheceu o Programa? E situe para os nossos leitores onde foi realizado o seu trabalho de orientação?
Fernando Accorsi: O desenvolvimento do Pensamento Computacional (PC), em crianças nos anos iniciais da educação regular, tem despertado meu interesse, atualmente. Acredito que o PC é um dos pilares necessários para a formação de estudantes críticos e criativos, que utilizem a Ciência como alicerce para a solução de problemas. Quando o Victor Pellegrini Mammana apresentou o WASH no IFPR, por meio de uma oficina com professores e estudantes, observei que o Programa era uma oportunidade para ver esta experiência acontecer na prática. Na sequência, as orientações dos estudantes do Curso Técnico em Informática começaram no IFPR-Campus Londrina, sendo elaboradas oficinas para a Escola Municipal Maestro Roberto Pereira Panico, em Londrina.
Quais foram as principais surpresas (resultados) e os principais desafios vivenciados como orientador dentro do WASH?
Fernando Accorsi: O envolvimento das crianças da escola municipal com as propostas das oficinas foi surpreendente. Observamos que os conhecimentos desenvolvidos nas oficinas foram empregados na solução de problemas em outros componentes curriculares.
Mas algo que me chamou bastante atenção foi o engajamento dos estudantes do IFPR com a proposta e a forte ligação que construíram com os estudantes da escola municipal. As oficinas foram ofertadas no contraturno escolar, ao longo de 2019, com o mesmo grupo de crianças de 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental. Neste contexto, um dos principais desafios foi a proposição de projetos novos e motivadores, relacionados às competências e habilidades previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
O Sr. participou intensamente das oficinas, este momento bastante rico de interação entre os alunos do Ensino Médio e das crianças do Fundamental. Como se deu essa experiência de planejar, organizar e realizar essas oficinas? Compartilhe, sobretudo, esse processo de tradução/compartilhamento dos conhecimentos entre grupos heterogêneos de educandos.
Fernando Accorsi: Como eu disse, nosso grupo buscou elaborar propostas motivadoras, relacionadas às habilidades e competências previstas da BNCC. Procuramos manter as propostas com foco em jogos pelo aspecto motivacional. As crianças têm muito prazer em fazê-los, como também em compartilhar os resultados, desafiando os amigos a jogar.
Nosso grupo realizava reuniões de planejamento semanais, fazendo brainstorming para criação das propostas. Também utilizávamos os princípios de divergência e convergência do Design Thinking para chegar na proposta final. Nas oficinas, os estudantes monitores observavam suas propostas sendo aplicadas e isto servia como retroalimentação do processo de criação. Avaliavam o que deu certo e errado e quais alterações eram necessárias para os próximos projetos. O exercício da empatia, na busca de projetos que fizessem sentido para as crianças, estreitou bastante a relação entre os estudantes monitores e os participantes das oficinas. Foi possível observar claramente o quanto os monitores se importavam com suas ações pedagógicas e o quanto era importante para eles a verificação de sua efetividade no aprendizado das crianças. Isto também foi percebido pelas crianças e, consequentemente, criou-se um ambiente favorável para o aprendizado.
Na sua percepção, como tem sido a ponte entre a Rede Federal e as escolas, dentro do Programa? Como o Sr. avalia a participação da direção da escola, a relação com os professores, e, também, com a comunidade, com todo o trabalho que é realizado?
Fernando Accorsi: Acredito que a Rede Federal, mais especificamente os Institutos Federais, possui recursos humanos e capilaridade regional bastante oportunos para dar suporte às ações do Programa. Na minha percepção, baseada nas ações que tive contato, pude observar que o perfil dos estudantes dos Institutos reúne características para formação de ótimos multiplicadores, tanto pelo conhecimento técnico como também por sua capacidade de empatia no atendimento ao público proposto. Na experiência que tive na escola municipal, constatei que o comprometimento da diretora, Thatiane Verni Lopes, e sua equipe pedagógica, foi determinante para o êxito do Programa. O comprometimento não apenas nas questões operacionais, mas sobretudo na valorização do Programa junto aos estudantes, professores e comunidade local. Ações por parte da escola, como por exemplo, a organização do Laboratório de Informática, a criação do espaço Maker, a promoção do evento para apresentação de trabalhos científicos, potencializaram ainda mais o Programa.
Quantos educandos o Sr. orientou até o momento? Como se dá essa relação de orientação?
Fernando Accorsi: Foram cinco orientados do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, do IFPR Campus Londrina. Procurei estabelecer com os estudantes uma relação bastante horizontal (sem hierarquia), com o propósito de criar um ambiente colaborativo e criativo. Na maior parte das reuniões de planejamento, meu papel foi de mediador, para que as ideias tomassem forma dentro do propósito do Programa.
Qual a importância da Iniciação Científica para a C&T no país?
Fernando Accorsi: Acredito que a Iniciação Científica, realizada com os estudantes ainda no ensino médio e fundamental, é um instrumento valioso para despertar vocações para áreas que motivaram o Movimento STEM. A formação de profissionais nessas áreas é uma preocupação mundial e é vista como elemento estratégico para desenvolvimento social e econômico de um país. Infelizmente, não temos hoje no Brasil um conjunto de ações coordenadas para atingir o mesmo propósito. Temos inciativas como o Programa WASH, que tem sido uma voz no meio deste silêncio. Uma voz que diz que é possível fazer diferente.
Quais são os planos futuros dentro do Programa?
Fernando Accorsi: As oficinas ofertadas em 2019 tiveram como foco o Pensamento Computacional, utilizando como ferramenta o Scratch. Avaliamos que é possível ampliar as atividades para relacionar os conhecimentos desenvolvidos com a Robótica Educacional, como também envolver modelagem e impressão 3D. Acredito que avançaremos nesta direção para ajudar a escola a consolidar o espaço Maker, que está em implantação.
O que representou o WASH na sua carreira acadêmica?
Fernando Accorsi: Em geral, o dimensionamento da carreira acadêmica está centrado no número de publicações realizadas. Para esta resposta, vou utilizar outro parâmetro: o impacto das ações realizadas na comunidade. Neste contexto, fazer parte da transformação deste ambiente escolar, do despertar das crianças para a Ciência, do desenvolvimento técnico e pessoal dos monitores, agregou outras dimensões a meu trabalho docente e à minha carreira acadêmica. Penso que a educação, como meio de transformação social, ficou bem mais evidente para mim; e, consequentemente, a reflexão sobre meu papel como docente foi inevitável.
Como o Sr. vê a Ciência pós-Pandemia, sobretudo, para os pesquisadores e professores?
Fernando Accorsi: Eu penso que as discussões afloradas, em tempos de pandemia, expuseram o baixo conhecimento da população quanto à Ciência; não somente dos conhecimentos básicos para os cuidados pessoais, mas principalmente sobre a metodologia científica. Ficou claro a falta de compreensão do pensamento científico. Acredito que, no pós-Pandemia, teremos que refletir sobre isto e encontrar formas de divulgação científica que sejam significativas para a população, como também repensar ações pedagógicas neste escopo, no âmbito das escolas.
O Sr. incentivaria seus colegas, professores e pesquisadores, a se tornarem orientadores? Nós todos sabemos que a vida dos professores não é fácil e muitas atividades extra-aulas não são assumidas, até por falta de tempo, de incentivo e de reconhecimento.
Fernando Accorsi: Certamente, mas não como um fardo no meio de tantas atividades, mas sim como uma oportunidade de desenvolver um trabalho de grande impacto de transformação na comunidade local. Acredito que é uma das principais recompensas da atuação no Programa.
O Sr. gostaria de fazer sugestões para a Iniciação Científica dentro do WASH?
Fernando Accorsi: Tenho duas sugestões, em perspectivas diferentes. A primeira é quanto ao objeto de estudo para a Iniciação Científica. Penso que explorar temas relacionados ao próprio Programa, como por exemplo o Movimento STEM e criação de espaços Maker, melhora o valor pedagógico das ações dentro das oficinas. A segunda é incorporar, dentro da oficina, um momento para apresentar os objetos de estudo em linguagem adequada para as crianças. Nesta segunda perspectiva, fizemos um piloto em Londrina. Nos quinze minutos finais de cada oficina, apresentávamos um circuito eletrônico, envolvendo alguma tecnologia presente no cotidiano, e deixávamos as crianças explorarem. Por exemplo, um circuito que ligava a luz quando o ambiente estava escuro, simulando a iluminação pública. Observamos que este momento era esperado como algo valioso para as crianças. Penso que este encantamento é necessário para despertá-los para a Ciência.
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Entrevista e edição: Denise V. Pereira
Revisão: Nádia Abilel de Melo
Fotos: Arquivo pessoal Fernando Arccosi
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