Como será o “novo normal”, pós-pandemia? Quais serão as regras de distanciamento e sobrevivência? Como nossos filhos vão encarar a volta às aulas e quais serão seus receios e cuidados? Esse conjunto de questões que tentamos vislumbrar e, muitas vezes, tira o sono dos pais, também não passa despercebido pelas crianças. Ou seja, não são preocupações só de gente grande, as crianças têm expressado seus medos para encarar esse horizonte: a retomada das atividades, o retorno à escola pós-pandemia.

Esse cenário de ansiedade e temor tem sido vivenciado por professores no contato com seus alunos,  mesmo nas atividades remotas (ou não presenciais) e acabou sensibilizando uma professora de uma  Escola de Ensino Fundamental, que decidiu enfrentar  o tema de forma criativa e colaborativa.

Danieli de Souza Silva, 39, professora do 5º ano, da EMEF Prof. Aristeu José Turci, do bairro Igarapés, em Jacareí-SP, que atua numa classe com 31 alunos, percebeu que seus alunos na faixa dos 10-11 anos passaram a manifestar grande receio  e incômodo com a reabertura de um shopping local, recentemente; e esse temor foi automaticamente associado à volta às aulas. “Durante as atividades no período de pandemia, as questões apontadas pelos alunos sempre eram carregadas por um certo receio sobre o futuro, de como seria ou será enfrentar essa volta, sem correr riscos. Eles até mesmo expressavam medo de morrer”.

Trabalhar o tema, conta a professora, exigia cuidados, sobretudo, quanto à abordagem para falar sobre segurança, a necessidade do distanciamento no retorno, alertas sobre a higienização, uso da máscara e até dar respostas sobre perguntas que envolviam a morte. E ela percebeu que era preciso muito mais que o diálogo e redações para conscientizar e acalmar os alunos para esse momento.

Foi assim que ela decidiu mobilizar os 31 alunos da sua sala de aula para que colocassem toda essas questões na tela do computador e construíssem uma espécie de “jogo da sobrevivência pós-pandemia”, enfocando a questão da prevenção.

“O objetivo foi envolvê-los na busca de soluções para enfrentar da melhor forma esse período, conscientizando e preparando os alunos para  quando esse momento chegar”, explicou a professora.

Como a escola já contava com um programa  intitulado Cientificando e, em 2020, fez a sua adesão ao Programa WASH-STEAM – Aficionados em Software e Hardware, voltado  ao letramento digital nas escolas públicas do país, Danieli passou a coletar as sugestões dos alunos num grupo de whastapp.

Um ponto importante do jogo, indicado pelos alunos, foi que os avatares/autopersonagens do jogo todos usariam máscaras para a proteção, acrescenta a professora. Os avatares serão inclusos no jogo pelos próprios alunos na segunda etapa.

A professora conta que o uso de “avatares” também busca preservar a imagem da criança. Desta forma, as crianças não seriam expostas. Os estudantes também definiram regras para a pontuação dentro do jogo, nas quais os personagens ganham pontos quando alcançam um pote de álcool em gel ou mantêm o distanciamento social; ou, ainda,  reduzem as chances de contaminação.

Essas etapas para a construção do jogo foram realizadas rapidamente, afirmou. “Em, praticamente, uma semana, os alunos definiram tudo. E a escola agora conta com o Gamesteu, nome também que faz alusão à Escola. O game digital permite que os alunos aprendam as regras de sobrevivência ao vírus.

Danieli afirmou, ainda,  que todos os alunos participaram com ideias, definição de cenário do jogo – a escolha do roteiro, gravação de voz  para as narrativas e até os pais se envolveram nas etapas.

Aprendizado multidisciplinar

A professora comenta, ainda, que a construção do jogo permitiu trabalhar conceitos importantes de forma multidisciplinar, facilitando o aprendizado de várias matérias: “trabalhamos temas da Geografia (quando definimos um cenário, trabalhamos com as crianças a questão da localização espacial e a localização da escola no mapa);  conceitos da Ciência (ao falar do vírus, de vacina, de prevenção, higiene entre outros); falamos sobre o impacto desse período para  a História; trabalhamos o Português, porque as crianças são autoras dos textos do jogo, do roteiro; enfim, atuamos na questão comportamental, porque desafiamos que as crianças mais tímidas fossem as responsáveis pelas narrações do jogo e colocamos isso na prática.”

Orgulhosa, Danieli destaca que o jogo exigiu que muitos alunos se superassem para contribuir de alguma forma; e os principais objetivos que eram baixar a ansiedade dos alunos e ampliar a  conscientização  sobre a pandemia foram conquistados.

A participação do WASH

A equipe de desenvolvimento do WASH contribuiu na disponibilização de ferramentas para a construção dos avatares e, também, na primeira versão do jogo, mas que será aperfeiçoada pelos alunos, na fase posterior. O WASH utiliza a linguagem Scratch que possibilita que as crianças possam dar os primeiros passos em linguagem de  programação   e construam seu próprio jogo.

A intenção é de que as crianças coloquem as “mãos na massa” nas novas etapas de desenvolvimento; ou seja, elas programarão as novas fases do jogo.

O  jogo Gamesteu será disponibilizado aos alunos do 5 º ano que se envolveram nesta pré-produção, nesta terça, dia 16;  e, na sequência, será apresentado aos alunos de todas as séries da escola, ainda nesta semana.

De acordo com a professora, o jogo ainda será compartilhado com outras escolas para incentivar que elas também produzam o seu próprio material, envolvendo a criação e desenvolvimento dos alunos.

“Foi um trabalho colaborativo, que envolveu todos: pais, alunos e direção da escola, que apoiaram a iniciativa. Desta forma, conseguimos tornar esse momento tão difícil mais leve e divertido para as crianças”, argumentou.

Para conhecer o Gamesteu e aproveitar para jogá-lo, acesse o link abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=3LkLQ2cVGx4 e no site do Programa Wash www.wash.net.br

O jogo já está sendo disponibilizado nesta semana no Youtube.

Redação: Denise V. Pereira

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