Crianças, adolescentes e jovens produzindo ciência e tecnologia como gente grande, como pesquisadores, com rigor metodológico, com resultados que podem impactar diversos públicos e áreas. Tudo isso, prioritariamente, no território de escolas da rede pública de ensino; e, ainda, com olhar voltado às necessidades regionais.
Muita gente pode pensar que essa é mais uma quimera para o país, mas o Programa WASH (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), implantado há seis anos em diversos municípios no Brasil, tem se empenhado para que essa cena seja cada vez mais comum na escola pública; e vem alcançando resultados.
O WASH tem como objetivo disseminar e popularizar a ciência, incentivar o interesse pela pesquisa científica, promover experiências, por meio de oficinas, que garantam ao educando o acesso ao letramento tecnológico, à aprendizagem e linguagem digitais, bem como a convivência com as temáticas “STEAM”, ou seja, vivências em “science, technology, engineering, arts and mathematics”.
Todo o programa é voltado para estudantes do ensino fundamental, com a participação de alunos do ensino técnico, médio e de graduação, com alcance em todo território brasileiro. Mas a Rede WASH congrega muito mais: escolas, professores, bolsistas, instituições apoiadoras e a comunidade envolvida, num grande esforço colaborativo de atuação, nas mais de 20 cidades brasileiras que contam com sua metodologia. O fundamento principal é a valorização do educando como protagonista e construtor do seu aprendizado.
As oficinas do programa são espaços de criatividade, onde os alunos, no contraturno e turno escolar, produzem um enorme acervo de produções científicas nas mais diversas áreas do conhecimento, sob orientação pedagógica. As oficinas abordam as temáticas STEAM, independente da grade curricular prevista para o estudante e o Programa incentiva a iniciação científica, destinando bolsas aos projetos que se destacam.
Essa configuração do WASH é financiada por recursos de emendas parlamentares, que permitem o pagamento de bolsas de iniciação científica do CNPq aos educandos e a realização das oficinas do Programa. Depois de sete anos com financiamentos anuais da ordem de centenas de milhares de reais, em 2020 o programa receberá alocação de até R$ 4 milhões oriundos de parlamentares, os quais serão destinados aos estados de São Paulo, Paraná, Amapá e Maranhão.
A metodologia do WASH tem inspiração nos ensinamentos do matemático sul-africano, Seymour Papert, que defendia que “a melhor aprendizagem ocorre quando o aprendiz assume o comando de seu próprio desenvolvimento em atividades que sejam significativas e lhe despertem o prazer”. Papert, afiliado ao MIT, é considerado um dos pioneiros da inteligência artificial e um dos mais importantes visionários do uso da tecnologia na educação. O Programa também bebe nas fontes de Paulo Freire, ao apostar no protagonismo e no autodesenvolvimento do educando no processo de aprendizagem.
Atualmente, o WASH contabiliza mais de 2 mil educandos do fundamental participantes em suas oficinas; já ofereceu, via CNPq, cerca de 150 bolsas para estudantes no período de 2015-2018, mas seus resultados mais significativos não estão somente nas estatísticas. Os conhecimentos produzidos pelo Programa impressionam. As pesquisas resultantes dos alunos de ensino médio já foram mostradas no Brasil e no Exterior. São experimentos que formam um arsenal de novos conhecimentos, aplicativos, produtos, tecnologias, audiovisuais, em diversas áreas – grande parte de cunho humanitário, educacional, social, ambiental e de inovação.
O início – O WASH surgiu numa unidade de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC (CTI Renato Archer), em 2013; e vem experimentado uma expansão significativa nos últimos anos. Já foi levado para mais de 15 cidades paulistas – da Capital, a regiões metropolitanas e ao Interior; para municípios do Ceará e Maranhão; e, mais recentemente, a Londrina e Prado Ferreira, no Paraná. O programa foi idealizado pelo pesquisador Victor Pellegrini Mammana, que abriu o CTI aos sábados à comunidade e agregou multiprofissionais e voluntários, num trabalho colaborativo. Mammana é atualmente o responsável pela a coordenação do Programa junto ao CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Convite – Profissionais da área de C&T da região do Vale do Paraíba que quiserem atuar no programa ou professores que quiserem levá-lo para suas escolas podem entrar em contato com a coordenação através do e-mail: coordenacaowash@gmail.com.
Elaine da Silva Tozzi é especialista em Políticas Públicas e Educação para Inserção Social, mestranda na área de Ciências Humanas e da Natureza na Universidade Federal do Paraná, e Coordenadora do WASH.
Denise Pereira é jornalista, com especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor-Unicamp, e bolsista do CNPq.
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